Planos da NASA – relatório final

report

A administração Obama pediu uma reavaliação de todo o programa espacial da NASA.
As conclusões preliminares eram pessimistas, como podem ler aqui.

Em Setembro, saiu o relatório parcial que foi entregue ao Obama e colocado na Internet. Leiam aqui todo o relatório.
Logo na primeira frase, diz que “o programa de missões tripuladas parece estar numa trajectória insustentável”, com os planos de regresso à Lua e viagens de humanos a Marte.

Vejam as 5 opções sugeridas:
options
Leiam um resumo das 5 opções, em inglês, clicando aqui.

Como podem ler no Público:
“A comissão sugere cinco opções possíveis, mas sublinha que o actual orçamento da NASA não é suficiente para os planos ambiciosos de ir para além da órbita da Terra traçados — seriam necessários mais 3000 milhões de dólares por ano acima do previsto no orçamento de 2010.
Se o financiamento for aumentado desta forma, pode-se então pensar num programa de regresso à Lua ou aquilo a que chamam a hipótese do Caminho Flexível, que pode dirigir-se em vários sentidos. Esses passam pelo reconhecimento de que a frota de vaivéns vai continuar em operação até ao primeiro semestre de 2011, e que depois devem passar-se sete anos sem que a NASA tenha meios para pôr astronautas em órbita.
Enquanto isso, pode-se prolongar a utilização da Estação Espacial Internacional, apostar em parcerias internacionais para viagens tripuladas a outros locais no sistema solar, como asteróides, pontos Lagrange — ou até à órbita de Marte.”

Ou como podem ler no Diário de Noticias:
“Verbas da NASA só deixam voar baixinho (…)
Os prazos das missões são irrealistas e que, na melhor das hipóteses, a agência espacial conseguirá regressar à Lua em meados da década de 2020 e, com maior probabilidade, só depois de 2030. O sonho de atingir Marte é simplesmente demasiado dispendioso, pelo menos nesta geração. (…)
Os autores do relatório defendem uma aposta no sector privado para conseguir colocar astronautas em órbitas baixas (minimizando o hiato de sete anos) e um prolongamento da vida útil da ISS em pelo menos quatro anos, até 2020. Para construir o módulo lunar Altair e o foguetão Ares V (na imagem) que permitirá atingir órbitas mais altas, o financiamento da NASA terá de ser totalmente revisto, algo pouco provável no actual contexto de crise económica global.”

A não ser que a NASA sofra uma forte injecção de dinheiro anualmente, os planos de Bush para os americanos regressarem à Lua em 2020 não se irão concretizar. Tendo em conta que não há dinheiro, então é praticamente certo que isso não irá acontecer.
Por outro lado, o mesmo painel de peritos diz que uma missão tripulada a Marte ainda é demasiado perigosa, e não existe tecnologia para lá ir.

Em 1962 também não havia tecnologia para ir à Lua, mas Kennedy no seu discurso disse que se teria que inventar novas tecnologias e foi o que se fez em poucos anos. E foi-se à Lua somente 7 anos depois.
Daí que a razão tecnológica é, para mim, uma falsa questão.

A questão filosófica também é importante. Falta uma estratégia, uma filosofia de conquista espacial. Faltam os tais objectivos “impossíveis” que existiam como ideais há 40 anos atrás.

a questão monetária é mais problemática.
Porque não há vontade política para se “sonhar alto” novamente.

“”Ou Obama investe mais ou não pode haver um programa de exploração tripulada”, diz Tiago Hormigo.
Só assim poderá avançar-se para a exploração humana do espaço. E aqui a comissão aponta dois caminhos preferenciais: vai-se primeiro à Lua, aprende-se a explorar os seus recursos e talvez até se construa uma base; ou visitam-se destinos cada vez mais ambiciosos, como as órbitas da Lua e de Marte, asteróides próximos da Terra ou até se aterra numa lua marciana. Obama terá de decidir por qual destes caminhos, ou uma combinação dos dois, irá enveredar-se.”
Leiam mais, clicando aqui.

Uma outra hipótese é a cooperação internacional.

No entanto, cada vez aposto mais nos Chineses… na Lua e em Marte!

review do spaceflight

Agora saiu o Relatório Final do U. S. Human Space Flight Plans, normalmente chamado de Comissão Augustine, porque o presidente da Comissão é o Norman Augustine. Leiam o Relatório Final.

O Público diz:
“Um painel especial independente disse hoje que o plano da Agência Espacial norte-americana (NASA) para revisitar a Lua é a missão errada com o foguetão errado. (…)
No relatório, o presidente da comissão, Norman Augustine, antigo patrão do grupo Lockheed Martin, sustenta que faz mais sentido para a NASA considerar aterrar num asteróide vizinho ou numa das luas de Marte.
Para Augustine, isso pode ser feito mais depressa do que regressar à Lua no período de 15 anos traçado pela agência espacial norte-americana. (…)
Por outras palavras, os objectivos da exploração espacial habitada do programa Constellation, lançado em 2004 pelo antigo presidente George W. Bush, são demasiados ambiciosos em relação ao orçamento atribuído à NASA.
Constellation prevê um regresso dos norte-americanos à Lua no horizonte do ano 2020 e, para lá dessa data, missões tripuladas para Marte. (…)
Segundo a comissão, seriam necessários mais três mil milhões de dólares para a agência especial realizar os objectivos do programa Constellation ou de outros voos humanos além da Estação Espacial Internacional (ISS).”

Basicamente não há dinheiro para programas ambiciosos tal como missões tripuladas (a não ser que haja uma forte injecção de dinheiro – 3 biliões de dólares -, e não há dinheiro para isso), por isso deveria se considerar outras alternativas, tais como missões robóticas a vários sítios do Sistema Solar, como luas de Marte e asteróides.
Multi-destination
A proposta até tem uma certa lógica.
Basicamente a Comissão considerou que enviar humanos é um desperdício de dinheiro, tempo, e insegurança. A única vantagem de enviar humanos é por motivos de marketing e publicidade.
Penso que também reforça o espírito humano e permite “sonhar”, mas eles não consideraram essas vantagens psicológicas e sociológicas na população.
O que eles dizem, e eu concordo, é que ao pensar-se enviar humanos está-se a pensar só em explorar a nossa vizinhança, o que é limitativo.
Assim, o que a Comissão propõe é que se explore mais o espaço exterior, que se vá para sítios que ainda não se foi, e que se faça tudo de forma mais científica, mais barata, mais depressa, e mais segura, enviando robots/sondas, para fazer essa exploração mais eficiente e mais global.

A Comissão também considerou como correcta a opção de extender o período de vida da Estação Espacial Internacional, pelo menos até 2020, em vez de acabar com ela em 2016.
E também recomendou continuar com os vaivéns espaciais até 2011, em vez de retirá-los em 2010.

A comissão também considerou que faz todo o sentido a NASA utilizar o sector privado para lançar os astronautas.
“The panel said a better option for low-Earth orbit transport would be private commercial space companies. Augustine said NASA should focus on going beyond low Earth orbit rather than having a trucking service to low earth orbit.”
Como diz a BBC:
“Experts asked to review the US human spaceflight programme have given strong support to the use of commercial services to launch astronauts.
The Augustine panel published its final report on Thursday and said America could find cheaper, faster successors to the shuttle in the private sector.
The US space agency is developing two new rockets and a crew capsule. But the committee has told President Barack Obama that these systems no longer meet the US’s immediate needs. (…)
Nasa is currently working to produce two new rockets – known as Ares 1 and 5 – and a new crewship called Orion. These are intended to replace the shuttle but have the capability also to take astronauts back to the Moon. However, the Augustine panel said this “program of record”, although well managed and technically competent, no longer fitted to the timescales over which it was needed and to the budgets it had been given.”
Augustine Comission
O Universe Today considera:
“The Augustine Commission released their final report today, and while they didn’t offer specific recommendations for NASA’s human space flight program, they laid out five possible options, highlighting a flexible plan that allows for several destinations out of low Earth orbit. The report also encouraged commercial space ventures to handle trips to the International Space Station. (…)
The consensus of the committee was that NASA should conduct a human space flight program somewhat different than the current path of returning to the Moon. The “flexible” plan would allow for reaching exciting and different destinations sooner than landing on the Moon.
“There are a lot of things we could do along the way to build up to a Mars program,” Augustine said, “such as a circumlunar program, circle Mars, land on an asteroid, land on Phobos or Deimos and do some exciting science from there. We could do those things rather than wait 15 years for the first major event.” (…)
In a nutshell, here are the 5 alternatives the committee came up with
1. Maintain all programs as is, but extend the space shuttle program to 2011 and ISS to 2020. Without extra funding, the Ares rockets wouldn’t be ready until 2020 and there would never be enough money to go to the Moon.
2. Maintain current funding, scrap Ares I, develop an Ares V lite version (about 2/3 of Ares V heavy) and divert extra funds to ISS for extension to 2020. Buy commercial LEO human space flight. The Ares might be ready by 2025, and perhaps get to the Moon after 2030.
3. Add $3 billion per year and proceed with the Constellation program to return to the Moon. The ISS would have to be de-orbited in 2016 to allow a return to the Moon by about 2025.
4. Add $3 billion per year. Extend the ISS to 2020 and get to the Moon by about 2025. Use either Ares V Lite, or Shuttle-C for heavy lift.
5. Add $3 billion per year. Extend the shuttle program to 2011 and extend ISS to 2020. Instead of heading to land on the Moon, orbit the Moon, or go to Near Earth Objects and prepare to go to Mars. Use either Ares V Lite; a heavy Evolved Expendable Launch Vehicles (EELV) or, a shuttle-derivative.”

No Space.com:
“the agency should consider using commercial vehicles to help achieve its goal, and perhaps nix the new Ares I rocket slated to fly future astronauts. (…)
“As we move from the complex, reusable shuttle back to a simpler, smaller capsule, it is appropriate to consider turning these transport services over to the commercial sector,” the committee wrote in its report.”

Vejam as considerações do Norman Augustine onde fala de várias destas coisas, na conferência de imprensa:

A Coalition for Space Exploration aplaudiu este relatório, dizendo que:
“The committee addressed the need for the additional investment and commitment that will be necessary so that America can pursue a bold course in the exploration of space, a trajectory that is inspirational, innovative and sustainable while embracing the participation of other nations.
Now is the time for President Obama and Congress to weigh the options outlined by the committee and move quickly to determine a path forward that is worthy of this nation’s great traditions of exploration and discovery.
The choices establish a framework for exciting missions that will merit the participation and vital contributions of human explorers for decades to come.”

Já o Congressista Parker Griffith disse:
“”The report released today by the Augustine Commission lacks the ambition and drive that first put our astronauts in space, beat the Russians to the moon, and is synonymous with the American space program. Time and again, the Constellation program has proven to be the best and safest option to continue America’s legacy as the leader in manned spaceflight, but the full report seems to ignore many positive conclusion that demonstrates this.
NASA has made America what it is today, and both our space program and our brave astronauts who risk their lives deserve more than the rigid deductions reached by this blue ribbon panel. We have spent 10 months studying this to only yield incomplete results at best. The arguments that should have been made and the questions that should have been asked were ignored. These findings are incompatible with our national goals to return to the moon, mars and beyond, and we in Congress will not stand for it. We can do better.
This is not an argument of whether we should go to the Moon, to Mars, or pursue low-earth orbit. This is a matter of having the commitment and the drive it takes to do any or all of the three. The recommendations set forth in this report lethargically lump together important missions that would benefit the United States scientifically, technologically, militarily and economically. As North Alabama’s Congressman, I will work with the entire state delegation and all of Congress to ensure that the men and women at Marshall Space Flight Center will have the tools they need to continue the gold standard work that the Tennessee Valley is known for.
We did not get to where we are today by settling for the status quo. America did not become the greatest nation in the world by being happy with what we have. Our space program challenges young minds and causes us to dream big and achieve beyond our expectations. The Augustine Commission report concludes that we need to either fund NASA at its highest levels or walk away from it completely. All of us know which is the correct decision. We must give NASA our full support. America deserves nothing less.”

Enquanto vários congressistas democratas e republicanos pedem que hajam muitas mais missões tripuladas, como podem ler aqui.

E várias indústrias e a própria NASA querem enviar humanos para asteróides, como podem ler aqui.

Parece-me que o programa espacial americano está confuso, sem grandes ideias, sem rumo.
Perdeu-se o espírito inovador, de risco, e de enormes objectivos.

Nas próximas semanas, o Presidente Obama vai dar uma resposta a este relatório.
Aí se verá qual a sua decisão, para onde a NASA deve prosseguir.

Pessoalmente, estou pessimista, porque não há dinheiro, não há ideias grandiosas, e já se percebeu (noutros assuntos) que o Obama gosta de jogar pelo seguro, em vez de arriscar e resolver definitivamente as coisas.

O Obama disse que era um grande fã de Star Trek.
Se resolver seguir os ensinamentos de Star Trek, então irá apostar nas missões humanas, e em vários sítios do sistema solar, como a Lua e Marte, e também apostar em missões robóticas a asteróides na Cintura de Asteróides, a Europa (lua de Júpiter), e a Titã e Enceladus (luas de Saturno).

2 pings

  1. […] – Plano Espacial: relatório final, missões à Lua canceladas, plano, aprovado. Don Nelson. Robot. Visão. Missão a Asteróides: […]

  2. […] missões a asteróides, e quiçá ter no ano 2030 humanos a pousar em asteróides, como propôs a Comissão Augustine. Entretanto saíram artigos fomentando uma missão deste género, como a que é conhecida como […]

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