Portugueses e Extraterrestres

Capa Extraterrestres

Este livro é editado pela Planeta Editora. Podem comprar o livro por 20€. Vejam aqui.
“Ao longo do século XX, milhares de portugueses confrontaram-se com o inesperado e o desconhecido, vindos de algures. Cerca de 800 “encontros” súbitos, por vezes traumáticos, com “luzes” e objectos voadores vindos de algures, mas também com seres insólitos, estranhos, aparentemente pouco humanos…
Dos arquivos do CTEC – Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência, da Universidade Fernando Pessoa, revela-se finalmente um retrato de “corpo inteiro” do ideário Extraterrestre, tal como foi sendo vivido entre nós, as suas experiências incríveis e as visões celestes” protagonizadas por cidadãos comuns.
Um estudo único participado por experimentados investigadores e teóricos nacionais que se juntaram num projecto singular.
Da antropologia à física, passando pela psicologia e a religião, variadas são as propostas de leitura e interpretação destas caprichosas “observações” e dos eventuais agentes que as provocam.
Esta antologia, a primeira no seu género, em língua portuguesa, elaborada por uma vasta equipa de académicos nacionais, propõe-nos uma digressão por “outros mundos” que se atravessaram, subitamente, no quotidiano normal de pessoas normais.
Uma visita guiada pela mão de especialistas, de diferentes disciplinas aos conceitos, ideias e imagens geradas em Portugal durante um século.
De onde procedem estas “aparições” de fenómenos extraordinários que, durante décadas, espantaram e muitas vezes confundiram cidadãos de todas a idades e condições sociais em toda a geografia do território nacional? Um grande inquérito a um verdadeiro “mito” vivo: a ideia do Outro além de nós. Que origens, que evolução, que modelos foi revelando esse imaginário ET como parte integrante da nossa cultura contemporânea?
Para ver e rever, textos inéditos e fundamentais de 19 especialistas, reunidos nesta histórica antologia.”

Este é o texto que nos foi enviado pelo Professor Joaquim Fernandes, que organizou este livro:

De outros Mundos. Portugueses e Extraterrestres no século XX
( Lisboa, Planeta Editora, 2009 )

Apresentação

Ao organizarmos esta antologia sobre as narrativas e representações da população portuguesa em torno dos conceitos de OVNI, enquanto acrónimo de “Objecto Voador Não Identificado” e de “Extraterrestre” em Portugal, expressos no decurso do século XX, culminámos um desígnio de longa data: a de produzirmos uma reflexão/reavaliação multidisciplinar de um fenómeno de massas que, no contexto das sociedades industriais contemporâneas, parece ter recuperado toda uma dimensão mágica, exemplar, dos grandes mitos da Antiguidade. Neste particular, não deixa de ser aliciante poder considerar o fenómeno OVNI/ET, nos nossos dias e no âmbito da chamada “cultura ocidental”, como um “mito em progresso” – “mito moderno”, como lhe chamou Carl Jung – , singular, vivo e actuante, aparente paradoxo no âmbito da chamada “civilização ocidental”: no panteão celeste dos antigos deuses, semi-deuses e heróis emergem agora outras entidades, igualmente superiores, supra-humanas, dotadas de novos extraordinários argumentos tecnológicos que se confundem com a magia indistinta desta, como sustentou o “profeta” Arthur C. Clarke. Um quadro sintomático suportado pelas vivências extraordinárias subjectivas (ou não) dos seus protagonistas humanos, com todo o aparato de expressões e vivências sensíveis, simbólicas e estéticas integrantes de um exuberante imaginário colectivo e das crenças a ele associadas.
Mais de três décadas volvidas após a grande explosão de interesse público em Portugal pelas manifestações do tema OVNI/ET, na esteira da Revolução do 25 de Abril de 1974, importa fazer este balanço, por muitos esperado, utilizando as ferramentas conceptuais e teóricas das diferentes ciências, onde emergem, com algum destaque, como é natural, as áreas sociais e humanas e também cognitivas.
Perante um fenómeno desde sempre colocado entre a rejeição e a paixão, muitos duvidarão ainda da possibilidade destes tópicos, relacionados com o imaginário dos “Não Identificados” e dos seus putativos “tripulantes” e “construtores”, poderem ser objecto de interpelação pela Ciência, tal a margem de equívocos, dúvidas e perplexidades que sobre os mesmos impende. Neste aspecto é hoje bem diverso o “agenda-setting” da opinião publicada, quando comparado com a “febre” de testemunhos, autêntica pandemia que contaminou toda a segunda metade da década de 1970. Ao mesmo tempo, à medida que o século XX se foi esgotando, assistiu-se a uma progressiva transferência do interesse da temática OVNI/ET do espaço público aberto para o espaço privado da Internet, configurando assim uma nova plataforma, fechada, e onde, à sombra do anonimato, é possível gerar novas virtualidades com base nos “relatos de avistamento” de aeroformas que, com frequência, extasiam muitos dos seus inesperados observadores. Migrando do “espaço exterior”, sede fulcral da nova mítica dos “extraterrestres”, para esse novo “ciberespaço interior”, as narrativas dos sujeitos envolvidos escapam facilmente ao crivo de uma análise crítica e suscitam, por isso, novas e sucessivas reconstruções miméticas, similares à fórmula do metatexto. Este estatuto faculta a manutenção de um estatuto bipolar do conceito OVNI/ET: objecto aliciante de entretenimento, que parece condenado a preencher eventuais lacunas informativas, e fenómeno marginal – porque marginalizado – à Ciência e à comunidade científica que tende a reduzi-lo a uma “superstição moderna”.
Cientes das dificuldades metodológicas e conceptuais que o tema OVNI/ET tem gerado ao cabo de décadas de controvérsia, esta antologia pretende, dentro das suas temporais limitações, romper as reservas arbitrariamente impostas à atitude interventiva das Ciências: a de poder interessar-se por tudo aquilo que à experiência humana diga respeito, seguindo o sábio conselho de Terêncio. Assim, empenhámos as nossas capacidades e saberes de hoje o melhor que pudemos e soubemos para certificar que estamos perante não só um tema digno de Ciência, mas de métodos dignos dela.
Contra conceitos prévios inócuos convocámos aqui 19 trabalhos, que exprimem perspectivas plurais sobre diferentes facetas do binómio OVNI/ET, tal como foi percepcionado e interpretado pelos cidadãos portugueses ao longo do século XX. Polarizados em torno do espólio organizado pelo CTEC os textos desta antologia resultaram de respostas empenhadas dos seus investigadores que, na sua maioria co-participaram, em trabalho de “campo”, na análise de muitos dos episódios aqui dissecados. Ao elenco de autores, além de amigos, são devidos efusivos agradecimentos pelo resultado global obtido. Relativo ou incipiente que seja, o mérito é deles.
Pela nossa parte incitamos o leitor a encetar esta original leitura, convictos de que irá descobrir estimulantes informações nesta colecta, a mais ambiciosa e pluridisciplinar que, entre nós, alguma vez se produziu em sede universitária. Longe de perfilhar ou sugerir conclusões fechadas ou esgotar as vertentes complexas e as múltiplas incógnitas destes episódios, deixamos entreaberta a porta para que cada um faça a sua aproximação à Verdade que todos procuramos. Esteja ela “lá fora” ou no interior de nós…

Joaquim Fernandes ( Org. )

No Sapo diz isto:
“O historiador Joaquim Fernandes lança a 3 de Novembro uma antologia com 19 trabalhos de mais de 20 investigadores sobre o fenómeno OVNI em Portugal ao longo do século XX, baseados em cerca de 800 relatos de observações aéreas.
A antologia, intitulada “De Outros Mundos – Os Portugueses e os Extraterrestres”, foi elaborada no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC), fundado por aquele professor da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.
“Ao organizarmos esta antologia sobre as narrativas e representações da população portuguesa em torno dos conceitos de OVNI e de “extraterrestre” em Portugal, expressos no decurso do século XX, culminámos um desígnio de longa data: a de produzirmos uma reflexão/reavaliação multidisciplinar de um fenómeno de massas que, no contexto das sociedades industriais contemporâneas, parece ter recuperado toda uma dimensão mágica, exemplar, dos grandes mitos da Antiguidade”, refere Joaquim Fernandes no texto de apresentação do livro.”

Este é o Sumário/Index do livro:

Apresentação – Joaquim Fernandes ( org. )

1 – António Durval; Joaquim Fernandes; José Carlos Martins; Mário Neves Silva
O Imaginário Extraterrestre em Portugal: avaliação Quantitativa e Iconográfica (1908 – 2000)

2 – Raul Berenguel
A análise fotográfica de objectos aéreos insólitos

3 – Fernando Fernandes
Criptotecnologia e imaginário OVNI/ET

4 – Mário Neves Silva
OVNI/ET: representações gráficas feitas por crianças e jovens

5 – Paulo Castro Seixas
Etnografia breve do contactismo português: o Ex(tra)-Territorialismo como modo de vida?

6 – Pedro Barbosa
Comunicação com seres alienígenas: uma abordagem exo-semiótica.

7 – Mário Simões; Mário Resende
Memórias» de Experiências de Contacto e Abdução – Aspectos Metodológicos sob Hipnose Clínica

8 – Cassiano José Monteiro
Observações de “humanóides” e outras entidades atípicas.

9 – Gilda Moura
Abduções em Portugal

10 – Maria Antónia Jardim
Luzes misteriosas ou mitologia moderna ?

11 – Nelson Lima Santos
Crenças e representações dos portugueses acerca dos fenómenos OVNI e ET.

12 – Teresa Martinho Toldy
“Olha-nos, segue-nos e verás algo nas estrelas”: apontamentos sobre leituras de “experiências de avistamento” em chave religiosa.

13 – Manuel Curado
A filosofia dos OVNIs.

14 – Aníbal Oliveira
O fenómeno OVNI/ET na comunicação de massa.

15 – A. Fernando Ribeiro
Virtualidade cosmogónica de um “contactado” na Serra da Gardunha.

16 – Joaquim Fernandes
O planeta Marte em Portugal: quando os Marcianos eram verdes.

17 – José Manuel Sottomayor
Meteoritos e OVNIs.

18 – Alexandre Alves Martins
OVNIs: efeitos secundários e propulsão.

19 – In Memoriam José Fernando Monteiro
OVNIs, Meteoros e fenómenos luminosos atmosféricos de origem telúrica.


O que me apraz dizer?
Análise crítica:

Antes de mais, deixem-me dizer que eu vou comprar o livro.
É o melhor que temos em termos de OVNIlogia em Portugal.
Por isso, para quem se interessa por estes assuntos, esta antologia é obrigatória.

No entanto, parece-me que, com algumas diferenças, este livro é somente a face escrita da parte visual que foi o programa Encontros Imediatos.
Quanto a isto, o professor Joaquim Fernandes tem uma visão diferente: “esta antologia não é uma cópia escrita dos “Encontros Imediatos”; quando muito é um complemento muito mais elaborado das condições em que se produzem os depoimentos e os relatos das testemunhas. Acho este aspecto central.”

Outra crítica que faço à antologia é que me parece que tem muitas das pessoas que apareceram no programa Encontros Imediatos. Parece-me uma repetição que, assim, não traz nada de novo.
É certo que tem pessoas de extremo valor, competentes, sérios, experientes, e que conhecem o fenómeno OVNI em Portugal como ninguém (exemplos: o próprio Joaquim Fernandes, o Mário Neves, o Sottomayor, o Durval, o Cassiano, etc); mas ao conter também pessoas que lidam nitidamente com estes assuntos com técnicas pseudo (desacreditadas pela ciência), e pessoas que são extremamente mal-educadas (o que diz bastante do carácter dessa pessoa), então é óbvio que dá a entender que se está a recompensar quem não o merece, faz com que as outras pessoas fiquem desacreditadas, e obviamente faz com que o valor do livro decresça fortemente…
E claro, isto faz com que a OVNIlogia continue a ser arrastada pela lama, ao não se ter o cuidado de “expurgar” as “ervas daninhas”…
A liderança, o saber liderar um sector/uma matéria, também passa por aí: por saber quem não serve, quer seja em termos profissionais, ou pessoais.

Outra crítica diz respeito ao título, que dá o mote a como se analisa o fenómeno. O título denota que se vai falar de extraterrestres, mas OVNI não é um acrónimo de extraterrestre.

Mais uma crítica, ligada à anterior, é que se se vai falar de extraterrestres, então onde estão os astrónomos, os biólogos, ou os astrobiólogos? Não existem. Entre escolher um cientista ligado à disciplina que se pretende discutir, ou escolher um trabalhador da PT que lida com o apoio ao cliente (o que nem para isso tem competência, tendo em conta a forma como lida com as pessoas e os erros gramaticais que dá ao escrever), prefere-se este último. Realmente, não dá para perceber os critérios editoriais. Só se fôr para gozar com o fenómeno.

Por último, e também ligado às críticas anteriores, no texto que nos foi fornecido é dito que:
“Este estatuto faculta a manutenção de um estatuto bipolar do conceito OVNI/ET: objecto aliciante de entretenimento, que parece condenado a preencher eventuais lacunas informativas, e fenómeno marginal – porque marginalizado – à Ciência e à comunidade científica que tende a reduzi-lo a uma “superstição moderna”.”
Ora, tendo em conta o que escrevi antes, não entendo esta vitimização.
O fenómeno é marginal à ciência, porque são estes próprios investigadores que marginalizam a ciência. São eles próprios que não querem saber de convidar astrónomos ou astrobiólogos. São eles próprios os culpados das suas escolhas; entre certos incompetentes trabalhadores da PT ou cientistas conhecedores do fenómeno, preferem os tais trabalhadores da PT.
Ou seja, acho muito estranho que façam a escolha de marginalizar os cientistas, e depois vitimizam-se dizendo que a ciência os marginaliza.
Se promovem o fenómeno preferindo pseudos e pessoas sem educação, em vez das análises científicas/objectivas dos especialistas-cientistas, então deviam pelo menos assumir isso, em vez de se vitimizarem porque estão à margem da ciência, quando essa é a sua própria escolha.

Por uma questão de honestidade intelectual, deixo aqui as respostas do professor Joaquim Fernandes a estas críticas:
“Escolheu-se os que durante bastantes anos trabalharam estes domínios, “por dentro”. Sobretudo, penso que as relações subjectivas e as cargas culturais entre testemunhas e estímulos estão equacionados quanto baste.”
“Um trabalho deste género não se pode esgotar numa abordagem única. Ficaram de fora outros nomes e perspectivas que merecem todo o respeito e crédito científico. Sei que o livro não é a excelência, mas o fruto possível.”
“A obra é um misto de empirismo e de envolvimento de outros especialistas, requisitados a dar o seu contributo.”
“As abordagens são mais do âmbito psicossocial e antropológico – áreas notoriamente mais ágeis e imediatas no tratamento destas temáticas.”

Ou seja, tal como no programa Encontros Imediatos, o objectivo pretendido, penso que é uma análise social e psicossocial.
Não são convidados cientistas, nem se pretende trabalhar com métodos científicos.
O objectivo é sim, trabalhar com técnicas de investigação social, de modo a tentar ser o mais objectivo possível, dentro das limitações dessas técnicas.

Como eu disse no início, este é um livro que devem comprar, caso estejam interessados no fenómeno OVNI.
No entanto, deixei aqui algumas críticas, e as contra-críticas respectivas. Cada qual que retire as suas conclusões.


Análise do José Matos:

O livro é importante como antologia do fenómeno e dá a conhecer ao público uma série de abordagens sobre vários casos registados em Portugal.
Há claramente uma tentativa de abordagem científica do fenómeno, mas que me parece que nem sempre resulta.
Alguns dos trabalhos são interessantes, mas outros roçam um pouco teorias pseudo-científicas, como o Pedro Barbosa a insinuar a possibilidade de comunicação telepática com extraterrestres ou o Alexandre Martins a dizer que a ciência actual permite sistemas de propulsão que atinjam velocidades superiores à da luz e que com um pouco mais de investimento tal possibilidade poderá tornar-se realidade. Mas em contraponto há também trabalhos de análise muito interessantes como o caso de Fernando Ribeiro que analisa de forma muito cuidada o caso de Américo Duarte na Serra da Gardunha.
Gostei também ver um texto do José Fernando Monteiro, um amigo já falecido em 2005 (e não em 2004 como refere o livro) e que fez em tempos (1993) uma intervenção num colóquio da CNIFO no Porto, onde também estive presente. Foi com gosto que vi a inclusão deste texto no livro.

Portanto, o livro tem interesse e para quem gosta destes temas pode servir como iniciação a este tipo de problemática aplicada no contexto nacional.

3 comentários

  1. Adoro os livros do Prof. Joaquim Fernandes, e, tenho quase todos.

    • geyle portilho on 31/12/2011 at 04:50
    • Responder

    ola amigo, moro em codajas-amazonas, onde e grande ha grande numero de apariçoes do fenomeno ovni, se algum dia vc aparecer por aqui me procure e eu lhe mostro que da varanda da minha casa como se pode fotografar e ate filmar esse fenomeno!

    obs: vou te relatar o que primeiro eu observo antes do ufo se aproximar daqui, velo uma luz vermelha intermitente e depois do nada o ufo se materializa uns 250 metros de minha residensia. ja fotografei e filmei mas nao publiquei por medo do ridiculo.

    ate mais…..

    1. Se não prova, não conta.

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