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Mar 04

BIG BANG (as)SEXUAL

Crédito: Cathy Read

Crédito: Cathy Read

A vida eclodiu replicante no planeta, sem tons de azul, há cerca de quatro mil milhões de anos.

Biomoléculas contendo simultaneamente informação e “habilidade” autocatalítica de se replicarem, no interior de bolhas primevas delimitadas por películas lipídicas, deram a toada constante para o mote replicativo assexuado na biosfera.

 

Desses tempos apreciamos a fidelidade na cópia eficiente e exacta da informação mais ajustada ao envolvente, capaz de garantir uma explosão exponencial de clones colonizadores da imensa solução aquosa que envolvia e arrefecia suavemente os resquícios da acresção planetária.

Ainda não encontramos fósseis terrestres desses primeiros tempos. Por isso são úteis quaisquer fósseis extraterrestres que corroborem esta hipótese e emprestem substância científica à ficção.

A replicação assexuada populou o planeta de seres unicelulares em suspensão aquosa. Cada novo átomo incorporado acrescentava excitação à duplicação até ao ajuste da estabilidade conforme à fidelidade original.

Uma chuva de elementos “supernovos”, jorrados pela explosão distante de uma supernova, causaria convulsões assexuadas muito excitantes para as bolhas replicantes.

Sob agitação constante em banho-maria” a vida terá evoluído de excitação em excitação, molecular e elementar, sempre com rima presa na assexualidade de uma exuberante mitose.

Pelo menos e tanto quanto sabemos durante uns dois mil milhões de anos, a vida pendulou assim até à incorporação, não de moléculas e elementos, mas de outras “bolhas replicantes”, num exercício deambulante de predação indiferenciada.

E, numa relação atrevida, uma bolha incorpora outra bolha até um resultado estável. A tendência entrópica controla-se num erotismo que dissolve o paradigma procariótico de um único ambiente interino. Num espasmo vesicular, a vida abraça-se em novos compartimentos intracelulares num prenúncio eucariótico.

António Piedade

(continua – primeiro de uma série de posts sobre este assunto)

 

Acerca do autor(a)

António Piedade

2 comentários

  1. Cathy Read

    Caro Antonio, Acabei de chegar em frente a minha pintura em seu site. Enquanto eu estou feliz para você usar minha pintura gostaria de pedir que você incluir a linha de crédito e link para o meu site cathyreadart.com Cathy Read

  2. Cathy Read

    Thank you!

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