Naturalismo.

 

O naturalismo é a característica científica que mais tem sido atacada ao longo dos séculos,  mesmo até aos dias de hoje. Embora essa discussão esteja relativamente afastada do meio estritamente académico (nas areas cientificas), continua muito acesa no meio filosofico, social e politico. De um modo geral, proponentes de teorias intestáveis e com recurso a alegadas entidades sobrenaturais, procuram integrar as suas afirmações no conhecimento científico tendo para isso de descredibilizar o naturalismo. Dizem que querem uma ciência não naturalista. Mas a ciência tal como a conhecemos é completamente naturalista. Mais, não há ciência sem naturalismo, como procurarei mostrar adiante. Acabar com o naturalismo na ciência é acabar com a própria ciencia (1).

O naturalismo é a tentativa de explicar os fenómenos e entidades naturais recorrendo apenas a fenómenos e entidades naturais (1, 2). É explicar o mundo físico, recorrendo a elementos desse mundo físico.

A maioria dos naturalistas, eu incluído, defende que não há aqui nenhuma exclusão “à priori” de entidades passíveis de serem conhecidas (3). Pois se for possível demonstrar que elas existem, então serão tão naturais como as outras. Naturalmente que se for possível mostrar que são reais então carecerão de explicação. Se não for possível mostrar que elas existem (ou que são inequivocamente suportadas com coisas que se podem mostrar que existem), elas não deverão servir para explicar nada.

Esta abordagem é extremamente coerente e consistente com os princípios de simplicidade (4) como a lâmina de occam (as entidades não devem ser replicadas para além do necessário) ou a simplicidade sintáctica (entre duas teorias igualmente capazes, a mais simples é a melhor). De facto, se podemos explicar um fenómeno sem recorrer a algo que não sabemos se existe porque havemos de o fazer? E se precisarmos de postular uma nova entidade para explicar um fenómeno, como tantas vezes aconteceu na ciência (por exemplo o electrão, teoria dos germes, etc.), porque a havemos de o postular com características extraordinárias que não só não sabemos se existem como não fazem falta para explicar o que precisamos? Como dizer que além disto e aquilo ainda têm vontade própria, por exemplo..?

É também uma abordagem intimamente ligada ao princípio de Laplace (5), que diz que “afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias”. Afinal, se postulamos uma entidade nova para explicar um qualquer fenómeno, temos de encontrar uma maneira paralela de mostrar que essa entidade existe no mundo natural. Temos de encontrar provas para ela. E quanto mais extraordinária for mais provas teremos de encontrar. E extraordinária no sentido em quanto se destaque de tudo o que já sabemos existir.

O naturalismo, juntamente com o reducionismo (6), os princípios de simplicidade, o princípio de Laplace são alguns dos mais úteis princípios (e ferramentas) científicos. Naturalmente que existem outros, já que só por estes não seria possível escapar ao solipsismo (tipo Matrix (7) em que tudo é uma ilusão), só para dar um exemplo, mas estes parecem essenciais ao pensamento científico (e ajudam a mostrar a implausibilidade do solipsismo). Não só porque empiricamente os vemos em todo o processo científico, mas porque se os retirarmos da ciência, ela deixa de funcionar como é desejado.

Por exemplo, vamos imaginar que podemos em qualquer altura do processo de conhecimento científico postular uma entidade cujas características são tais que podem justificar o que nós quisermos. Em vez de precisarmos de ser parcimoniosos quer no numero de entidades que postulamos quer na sua complexidade, podemos produzi-las sem receio em numero e forma e com super-poderes variados. Porque deveríamos  nessa situação e num tal sistema de conhecimento, perder tempo a procurar uma explicação mais difícil de encontrar, mas mais simples, se podíamos não o fazer? E se aceitássemos, como muitos críticos do naturalismo sugerem, que há coisas que podemos explicar sem postular entidades extraordinárias, mas outras que não podemos – então onde é que desenhamos a linha? Quando é que desistimos de procurar a solução naturalista e aceitamos uma “sobrenaturalista” (8)? Quando não sabemos como explicar algo? Quando parece demasiado impossível? Já vimos que não devemos justificar nada com o que não sabemos e ja vimos também que resultado isso dá.

Por um lado, história mostrou que essa abordagem falha, pois leva a explicar a natureza com recurso a entidades tais que não permitem explicar para além delas próprias. Não se conseguem fazer previsões nem construir conhecimento acumulado. Por outro lado, apenas por uma abordagem “à priori” não parece ser possível determinar a existência de seja o que for, pois podemos mostrar que os conceitos até podem existir mas não que correspondem de facto a algo fora das nossas mentes. Mostrar isso requer uma ponte fenoménica algures, ou um caminho metafisico extremamente forte que ainda não foi conhecido. Tem sempre existido para este tipo de alegações uma refutação baseada na distinção entre mapa e território. Repetindo, quando existir uma maneira de mostrar que existe tal processo de obter conhecimento sobre a realidade para lá do que vai nas nossas mentes, é outro assunto.

Por isso, o limite do naturalismo, será, à priori, apenas naquilo que nós não podemos conhecer – estaremos limitados ao que é capaz de ter efeitos no mundo natural. Tais entidades – que não têm efeitos observaveis, indireta ou indiretamente, podem existir. Mas não pertencerão, à priori, a qualquer explicação sobre os fenómenos observáveis (porque não têm efeitos). E uma entidade que causa efeitos cuja origem nós não possamos determinar  (e portanto chegar a ela própria) leva-nos por outro caminho à mesma conclusão: O que não podemos saber, não podemos saber  – é preciso evitar o argumento pela ignorância. É um limite do naturalismo mas também de todo o conhecimento. Se formos mais adiante e postularmos especificamente que há um efeito causado por uma entidade sobrenatural e que apenas não pode ser detectado pela abordagem naturalista, isso levanta outra vez a questão: Afinal como sabemos que tal entidade existe e não passa de um postulado hipotético? Como a distinguimos de todas as outras infinitas entidades que podemos postular mas que não existem? Como disse, o naturalismo tem limites. Um deles é explicar o que por definição dissemos que não poderiamos conhecer naturalisticamente.

De facto a humanidade avançou imenso na compreensão do que a rodeia quando deixou de tentar explicar as coisas com fadas, duendes, demónios, etc. Mas não porque haja uma lista a dizer que esta ou aquela coisa não são por definição explicações científicas, mas porque não faz sentido recorrer a elas quando se encontra melhor. E que para além disso, faz muito mais sentido procurar explicações mais simples, mais consistentes umas com as outra e coerentes. Isso permite começar a acumular conhecimento e a ter previsões bem sucedidas sobre o mundo. De tal modo que a capacidade de fazer previsões é uma das marcas da ciência. Talvez mesmo a mais importante e que dá pelo nome de falsificacionismo (9)(10), assenta na capacidade de testar previsões que impliquem a veracidade da teoria.

Se explicações mais simples, com maior poder preditivo e explanatório não são melhores, então é porque entendemos coisas diferentes em relação à palavra “melhores” .

Voltando ao naturalismo, falta explicar a popularidade das explicações sobrenaturais, para além de propor uma descrição funcional do que será algo sobrenatural. E uma que seja consistente e coerente com o que está escrito acima, assim como com toda a ciência.

Podemos referir-nos ao “sobrenatural” como a entidade ou fenómeno dotado de uma inteligência e intencionalidade não explicável pelo funcionamento das partes que o compõem. Ou seja, aquelas entidades capazes de planear e agir por vontade própria sem que se possa reduzir essa capacidade a nenhuma outra parte de si próprios (sistema nervoso nos animais). Parece ser esta peculiaridade que é referida quer popularmente quer nos ditos estudantes do oculto, como sendo “sobrenatural”. E é essa que a ciência explica. Mas de outro modo. A explicação é esta:

Ao longo da evolução da humanidade foi mais seguro errar por atribuir agência ou intencionalidade onde ela não estava do que errar por não atribuir intencionalidade (11). Ou seja, foi melhor fugir de um barulho que era apenas o vento e acabar vivo que não fugir de um barulho que afinal tinha “uma agenda a seguir” e acabar no estômago de um leão. Falsos negativos (ficar sem acreditar que existe um perigo) mataram mais que falsos positivos (fugir do trovão, do escuro, do vento, etc). Isso terá levado a seleccionar os indivíduos com maior tendência a ver intencionalidade em tudo o que não poderiam compreender. Sabemos mesmo que existe um núcleo no córtex visual, que funciona mesmo nos cegos (não é apenas funcional recorrendo à vista), que serve apenas para identificar vida. Deverá ter sido seleccionado para ajudar a procurar comida e para fugir de predadores. O disparo errado desse núcleo, um falso positivo portanto, especula-se justificadamente que tenha um papel no processo de haver tanta afinidade por explicações sobrenaturais.

Em conclusão, o sobrenatural é explicado pelos naturalistas como a atribuição de intencionalidade onde ela não existe e como explicação de algo que não se compreende. Cortar esta tendência ancestral mostrou-se extremamente fecundo para o desenvolvimento humano, e de facto permitiu deixar de ter de estar sempre a fugir de predadores (não menosprezem esta vantagem!). Por outro lado, devemos procurar explicações simples, tão simples quanto possíveis, e não multiplicar as entidades para além do necessário. E quando tal acontece, temos de ter provas extraordinárias.

Um sistema cognitivo que aceite violar estes princípios pode ter muitos adeptos e defensores e para lá da sua utilidade há uma coisa que pode ser dita. Não é ciência. E a ciência por natureza nunca poderá não ser naturalista. Não porque haja uma “embirração” com determinadas fadas, ou gnomos, ou feiticeiros, repito que não há uma lista de coisas que a ciência tenha de fingir que não “vê”. A ciência é naturalista porque é assim a estrutura do seu funcionamento. Querer parte do sucesso cientifico e tentar por isso confundir-se com a ciência ao mesmo tempo que diz que ela não é aquilo que lhe deu esse sucesso é desonesto ou ignorante.

Para finalizar, apenas a nota de que existem muitos que consideram grande parte destas considerações como sendo filosóficas e não científicas. No entanto, a maioria (todos?) dos naturalistas não vê uma distinção clara e definida entre ciência e filosofia (13) . Consideram que existe uma larga área comum que é território de ambas. Claro que cada um tende a puxar a brasa à sua sardinha, com os cientistas a dizerem que tal e tal é ciência e os filósofos a dizerem que é filosofia e que sem a filosofia não há ciência. Mas o que é verdade é que a distinção não é clara. No entanto isto também é outra discussão e esta já vai longa.

 

  1. Ver : http://theness.com/neurologicablog/index.php/more-on-methodological-naturalism/ para uma optima discussão sobre este assunto pelo Steven Novella.
  2. Eu não distingo por conveniencia e por funcionalidade prática entre naturalismo metodológico e metafisico e o resto do texto deverá apresentar suporte implicito para isso. Mas resumidamente: É obvio que a materia e a energia não são tudo o que existe, basta nomear ondas de probabilidades ou o espaço-tempo (regeito assim o materialismo ou naturalismo metafisico, mas aceito-o no aspecto em que natureza é tudo o que existe e que sabemos que existe, apenas não sabemos tudo o que ela tem). Por outro lado carecem de provas inequivocas as alegações de forças ou seres sobrenaturais. Apenas existe a alegação de que existem e isso não é conhecimento. De qualquer modo, o argumento aqui presente nem é de que não existam esses seres. É de que aquilo que não existe para todos os efeitos, não é objecto da ciência, nem deve passar a ser. E se tem efeitos, então cabe demonstra-los. Ver aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Naturalism_(philosophy)
  3. E por conseguinte não reconhecemos o argumento de Alvim Platingra… Ver outra vez (1) por exemplo.
  4. http://astropt.org/blog/2011/03/26/simplicidade/
  5. http://astropt.org/blog/2011/04/07/50067/
  6. http://pt.wikipedia.org/wiki/Reducionismo
  7. http://www.imdb.com/title/tt0133093/ E que pilula escolheu o meu caro leitor?
  8. Mais sobre esta prespectiva: http://cronicadaciencia.blogspot.com/2009/09/materialismo-e-naturalismo.html
  9. http://duvida-metodica.blogspot.com/2009/05/verificabilidade-e-falsificabilidade.html
  10. http://duvida-metodica.blogspot.com/2009/05/as-teorias-cientificas-sao.html
  11. http://personal.lse.ac.uk/Kanazawa/pdfs/SPQ2010.pdf
  12. http://www.theness.com/neurologicablog/?p=768
  13. http://plato.stanford.edu/entries/simplicity/

 

 

 

 

 

 

22 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

  1. E se todo o Universo fôr simplesmente uma simulação de computador?
    http://www.astropt.org/2008/01/17/universo-simulacao-de-computador/
    😀

    1. Carlos:

      “E se todo o Universo fôr simplesmente uma simulação de computador?”

      Já leste a “idade do ouro” de John Wright? Se não tens de ler. É do melhor na FC!

      1. Não li. 😉

        Mas já procurei para depois ver 🙂
        http://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Age_%28novel_series%29

        obrigado 😉

    • Isabel Marreiros on 27/05/2011 at 19:30
    • Responder

    Seríamos assim uma espécie de Avatares 😉 E o nosso pensamento estaría por algures pousado, quem sabe noutro planeta…:)

    1. Avatar!!! Excelente 🙂

      Nem me lembrei disso…

      se bem que… Avatar não era real???? 🙂
      Acho que era 🙂

      E se estivermos todos num filme de ETs, e nenhum de nós fôr real? 😛 ehehehee

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 19:43

        Qd era miúda costumava achar q a nossa vida era um filme q outra pessoa estava a ver 😀

      1. Entretanto deu em episódio de South Park 😛

        A Terra é simplesmente um Reality Show, o mais visto por toda a galáxia 🙂
        http://en.wikipedia.org/wiki/Cancelled_%28South_Park%29

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 19:48

        ooooh pah, esquadrinharam-me a mente e roubaram-me a ideia!!!! 😀 LOOOOL

        Bem, costuma-se dizer q as grandes mentes pensam da mesma forma… 😛

        Embora na altura ainda não existisse o conceito de reality show.

        LOOOL

  2. Olá,

    Não o solipsismo é muito mais radical. É que tudo, mas mesmo tudo o que tens como sendo real é falso e sem relação com a realidade, que não fazes ideia do que é.

    Na alegoria da caverna há uma relação entre as sombras e a realidade.

    O filme Matrix é uma ilustração popular desse conceito.

    Outra é o cerebro num balde, a flutuar num liquido maravilhoso para o manter vivo. Não existe refutação completa para que cada um de nós não possa ser esse cerebro. Apenas a demonstração que tal não é plausivel.

    1. Não percebi o cérebro a flutuar num balde 🙁

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 19:42

        dah!!! 😀

        brincadeira (vingança do “ignorante” de há pouco… :D)

        tanto qto sabemos, numa perspectiva solipsista, podemos ser somente um cérebro que se ilude a si mesmo, isto é, que sonha. 😀 Aquilo q achamos ser a realidade é na verdade um sonho de um cérebro enfiado num balde-… 😀

        • Joao on 03/06/2011 at 13:35

        Carlos:

        O cerebro porque é o teu suporte para a experiencia pessoal e a flutuar num liquido que o mantivesse vivo. Sem sensores nenhuns para percepção num sonho auto-induzido ou injectado por estranhos.

        É uma imagem que tenho encontrado para ilustrar o solipsismo. Acho que há um cartoon para aí

  3. Adorei a definição de sobrenatural, “atribuir intencionalidade onde ela não existe” faz-nos pensar que na realidade perdemos muitos anos de evolução, aprisionados a um pensamento nervoso e cheio de intenções ;). O Naturalismo foi uma libertação 🙂

    1. Pois 🙂

    • Ana Guerreiro Pereira on 26/05/2011 at 21:37
    • Responder

    “O naturalismo é a tentativa de explicar os fenómenos e entidades naturais recorrendo apenas a fenómenos e entidades naturais. É explicar o mundo físico, recorrendo a elementos desse mundo físico”. Portanto, é ciência 😀 e acho q é isto que pouca gente entende. Que ao dizerem coisas como “a ciência não é tudo” ou “a ciência não explica tudo”, não têm noção q na realidade estão a dizer que o mundo natural não é tudo nem pode ser todo explicado… e pode. Tudo tem explicação. A grande questão é se nós a conhecemos. E é isso q a maioria não entende, q o facto de a ciência não conhecer a explicação para determinadao fenómeno, não significa que esse fenómeno não seja natural… por isso tb não percebem quando eu digo q o sobrenatural não existe porque tudo é natural… (pode é não ter explicações q passem por fantasmas, demónios, etc…..).

    Acabei de descobrir que sou naturalista 😀 😀 😀 obrigada pelo conceito! 😀

    Hum, o solipsismo é então uma espécie de alegoria da caverna de Platão?

    (não estou familarizada com termos de filosofia da ciência, somente com forma de encarar as coisas 😀 )

    1. Não, solipsismo é basicamente a asserção de que apenas posso ter a certeza de que eu existo e nada mais. O resto da realidade, incluindo tu, fazem parte da minha imaginação. Dá para imaginar o quão divertidas são as conversas com solipsistas…Os new agers até gostam de pegar numa variação do solipsismo para depois poderem dizer que eles comandam o Universo com o pensamento e que tudo é possível. Curiosamente ainda estou para ver um a atirar-se do nono andar…

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Solipsismo

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 19:28

        Olha, honestamente pensava q solipsismo era outra coisa… ahahahaha 😀

      1. Enfim… és mesmo ignorante… 😛
        o que quer dizer que, sendo tu uma parte da minha imaginação… então conclui-se que a minha imaginação é mesmo ignorante! 😛

        LOLLLLLLLLLLLLLLLL 😀

        tou lixado… arranjei forma de não poder insultar as pessoas, porque é insultar-me a mim próprio 😛 LOL

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 19:40

        ahahaha, sou? ao menos sei que o sou 😀 e não tenho problemas em admiti-lo 😀

        solipsistas, pá 😀

      2. LOL 😀
        Não é que eu ache que o solipsismo esteja fundamentalmente errado, acho que simplesmente é uma discussão inútil. Isto é uma coisa que já vem desde Descartes com o seu “penso logo existo”. Só posso ter a certeza de que eu existo, não posso dizer com certeza que outras mentes existam e que as informações que os meus sentidos captam são reais, fiéis de certeza que não são pois têm muitos defeitos. Para ultrapassar este problema temos simplesmente de assumir que sim. Posso muito bem não passar de um cérebro num jarro ligado a um computador mas se eu nunca vou poder saber isso, qual o propósito desta linha filosófica? Nenhum. É um beco sem saída, uma hipótese impossível de falsear. Qual o sentido de andar por ai a dizer que vocês são todos figuras da minha imaginação? O outro pode simplesmente dizer, que eu é que sou parte da imaginação dele. E pronto, ficamos todos contentes. O Bertrand Russell falava do caso de uma mulher que se dizia solipsista, estando espantada por não existirem mais pessoas como ela lol

        • Ana Guerreiro Pereira on 02/06/2011 at 20:10

        Bem, por alguma razão se chama filosofia… 😀

    2. Acho que vai mais longe que a Caverna de Platão… porque na prática “tudo é sombras”, só eu sou a realidade…

      Quase como Matrix… se assumires que todos os de Zion são uma entidade, e é a única entidade existente… tudo o resto é imaginação deles 😛

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.