Manifesto pela Ciência em Portugal

Está a circular um manifesto para tentar pressionar o novo governo a investir na ciência – e não haver cortes na ciência, como no passado.

O Manifesto está aqui.
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Leiam também este artigo do Expresso.

O que diz o Manifesto (cópia do que é dito nesta página):

A investigação científica é um motor de inovação indispensável para ultrapassar a actual crise económica.

Ao longo de sucessivos governos, Portugal investiu na criação de uma comunidade científica internacionalmente reconhecida e competitiva. Este investimento, em recursos humanos e investigação, permitiu a criação de empresas de base tecnológica e científica, como a Critical Software, Biotecnol, Alfama, Ydreams, Bial, Alert, Chipidea, Mobicomp, WeDo e a OutSytems, entre muitas outras, que geraram emprego, exportaram conhecimento, estão representadas em vários países e atraíram substancial investimento internacional. A nível académico, o investimento em Ciência permitiu a formação de equipas de investigadores exportadoras de conhecimento gerado em Portugal, capazes de atrair milhões de euros em financiamento internacional altamente competitivo, de entidades como a Comissão Europeia, o Conselho Europeu de Investigação, o Howard Hughes Medical Institute, o Human Science Frontiers Program e a Bill & Melinda Gates Foundation que sustenta postos de trabalho altamente qualificados.

Estamos no bom caminho para desenvolver a massa crítica, as ideias e os projectos que noutros países, incluindo os de dimensão comparável à de Portugal, geraram empreendedorismo com grande impacto económico e social. Importa por isso continuar a apostar neste rumo de forma continuada e sustentável.

É nossa convicção que uma política estruturada de ciência é fundamental para garantir a competitividade das instituições científicas nacionais e assegurar a solidez e continuidade do investimento em recursos humanos altamente qualificados. Por ser potenciadora de mais-valias praticamente inesgotáveis a ciência deve, na nossa opinião, constituir um desígnio nacional suprapartidário e uma área de investimento prioritário baseado numa estratégia a longo prazo claramente definida.

A comunidade científica em Portugal está empenhada em garantir a sustentabilidade da ciência, e quer ser parte activa da mudança qualitativa de que necessitamos no nosso país. O desenvolvimento científico e tecnológico nacional é importante para todos. Assim defendemos que:

· A investigação fundamental é a base de sustentação de qualquer área de aplicação, por ser essencial à criação de ideias inovadoras e dos recursos humanos capazes de gerar valor económico, a curto e longo prazo. Como tal, deve ser apoiada de forma contínua e sustentada.

· A promoção de uma cultura de excelência consegue-se apostando no mérito: nas melhores equipas, nas melhores instituições e nos melhores projectos, avaliando os resultados por objectivos e com grande exigência, e tirando consequências da avaliação. A excelência gera excelência.

· O desenvolvimento científico e tecnológico do País não é compatível com estratégias de curto prazo – exige uma visão de longo termo envolvendo as várias forças políticas e objectivos concretos, indispensáveis a uma avaliação objectiva da sua implementação e das mais-valias que trouxerem ao país.

· A gestão da ciência e tecnologia em Portugal tem que obedecer aos mesmos critérios de excelência e eficiência exigidos aos cientistas, nomeadamente na execução financeira transparente, atempada e desburocratizada, e na concretização de objectivos que deverão ser alvo de avaliação externa. Não é possível a programação de actividades de I&D num quadro de imprevisibilidade de financiamento e de crescente burocratização.

· A nossa sociedade está cada vez mais dependente de actividades de cariz tecnológico, seja na gestão de recursos naturais, nos desafios energéticos ou na resposta a problemas de saúde pública, entre outros. Estas actividades necessitam de financiamento próprio, articulado com os respectivos ministérios da tutela e com autoridades e empresas locais. Não devemos continuar a confundir, no plano orçamental, as actividades de carácter tecnológico com investigação científica.

· Para que Portugal possa aumentar a sua competitividade necessita de envolver os seus melhores cientistas e de atrair excelentes investigadores do estrangeiro, sendo para tal indispensável definir carreiras científicas estáveis e competitivas a nível internacional.

Estamos seguros que Portugal vencerá o desafio da modernização, e a aposta nas pessoas e na inovação é o caminho mais seguro. Com as nossas equipas, colaboradores e com a comunidade científica nacional manteremos a nossa determinação e o nosso empenho no desenvolvimento científico, económico e social de Portugal. Queremos ajudar!

1 comentário

    • Ana Guerreiro Pereira on 15/06/2011 at 18:51
    • Responder

    A ideia é, no fundo, agitar as águas e alertar para o problema do corte de financiamento na área que fornece conhecimento e, por arrasto, tecnologia. Se cortam aí, cortam o pilar da sociedade humana…

    Mesmo não tendo um resultado directo, o manifesto pretende somente alertar para o problema e dar a conhecer a opinião de quem faz ciência na perspectiva de quem faz ciência.

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