A Irracionalidade dos Pseudos

Durante uma conversa bastante proveitosa entre o leitor Jonas e eu no artigo do Pedro Seixas sobre a problemática dos neutrinos (artigo aqui), percebemos que existe uma falha na mente daqueles que estão sempre a renegar os benefícios que os cientistas e/ou especialistas nos oferecem: cada descoberta da ciência, perceptível nas entrelinhas, anularia todo o conhecimento anterior – em outras palavras, os cientistas nada sabem acerca de coisas e fatos, e que tudo é possível. Até mesmo os maiores disparates, como por exemplo, flutuações da matéria sólida onde atua a força da gravidade…

O caso mais recente foi com relação ao resultado preliminar divulgado pelo CERN em setembro do ano passado. A equipe do projeto OPERA divulgou na época que neutrinos viajaram a uma velocidade superior à da luz – que derrubaria a Teoria da Relatividade Restrita e, consequentemente, a Física Moderna.

Para podermos entender o que isso significa e o impacto na ciência atual, temos que compreender uma das implicações da Teoria da Relatividade Restrita criada pelo Albert Einstein:

Nada que possui massa pode viajar à velocidade da luz.

A lenda

Por que a matéria não pode viajar à velocidade da luz?

Por uma questão simples. Quando estudamos a Física Clássica (mais precisamente a Mecânica Clássica), aprendemos que as massas inercial e gravitacional são constantes e possuem valores idênticos para o mesmo corpo – independente se possui movimento ou não. Sabemos hoje, graças à Mecânica Relativística, que a massa de um determinado corpo não é constante – devido à sua velocidade. Entretanto, mesmo com essa descoberta, o estudo anterior (proposto por Isaac Newton) não deixa de ser válido de maneira alguma, já que para baixas velocidades o aumento da massa é desprezível – porém, tende ao infinito quando tende à velocidade da luz.

 

 Velocidade-limite de Dick Viga… ops, digo, Michael Schumacher

Na Relatividade Restrita, a massa de um corpo pode ser obtida pela seguinte equação:

 

onde:

m = massa inercial do corpo (kg);

m0 = massa gravitacional do corpo (kg);

v = velocidade adquirida pelo corpo (m/s); e

c = constante da luz no vácuo (3 x 108 m/s).

Notem que, à medida que um corpo vai adquirindo velocidade, (v ——> c), a razão v2/c2 se aproxima do valor máximo 1. Substituindo na equação, percebemos que o denominador tende a 0 e a razão m0/0, por tratar-se de uma indeterminação matemática, tenderá à infinito (∞). Resumidamente, o valor da massa do corpo cresce à medida que aumenta a velocidade. Ou seja, para aumentar sua velocidade é necessário uma quantidade de energia tão absurda que é praticamente impossível de se realizar. Notem que, de acordo com essa equação, a massa de um determinado corpo nada mais é que a quantidade de energia concentrada. Um exemplo prático desta equação pode ser tratado abaixo*:

– Uma nave tem uma massa de repouso igual a 1 tonelada, desloca com relação a um sistema referencial O. Qual deveria ser a velocidade v da nave para que a mesma sofresse um aumento na massa inercial de 1 g?

 

Dados:

m0 = 1 t —–> 1000000 g

v = ? (m/s)

m = 1 g

A massa inercial de um corpo é dada pela equação abaixo:

m = m0 / sqrt (1 – v2/c2)

Elevando ao quadrado ambos os termos da equação:

(m)2 = (m0 / sqrt ( 1 – v2/c2))2

m = 1000001 (g)

Como c (no vácuo) = 3 x 108 m/s, temos que:

v2/c2  = 1 – (1000000/10000001)2

v2/c2  = 1 – (0,99999)2

v2/c2  = 1 – (0,99998)

v2/c2  = 0,00002

Isolando v2:

v2 = 0,00002.c2

Determinando o valor da velocidade:

v = 0,0045.c

v = 0,0045 . 3 x 108

v = 1350000 m/s ou 1,35 x 106 m/s.

Conclusão: Para que a nave sofresse um aumento na massa inercial de 1 g, deve estar à velocidade de 1,35 x 106 m/s, ou seja, bem menor que a velocidade da luz no vácuo.

 

Um outro problema, que eu tinha exposto anteriormente, se referia “à quantidade de energia necessária para qualquer matéria viajar à velocidade da luz, considerando uma massa de 10 kg de um determinado corpo”: ** 

m = 10 kg
c = 3 x 108 m/s

Substituindo na equação E = m . c^2, temos:
E = 10 . (3 x 108)2

E = 90 x 1016 Joules

Incorreto! De acordo com João Coutinho e Pedro Seixas, também colaboradores do AstroPT, esta seria a energia da massa de 10 kg no referencial em que esta estaria em repouso. Não a energia para mover o corpo próximo à velocidade da luz. De acordo com Seixas, a equação abaixo seria a correta para calcular a quantidade de energia armazenada em um corpo com velocidade próxima à da luz:

E = m . c^2 / sqrt (1 – (v^2 / c^2)) – m . c^2

Exemplo demonstrativo: Se o corpo está em repouso, ou seja, v = 0:

E = m . c^2 (i)

Para v 0, a quantidade de energia armazenada é:

E = m . c^2 / sqrt (1 – (v^2 / c^2)) (ii)

Subtraindo as equações (ii) e (i):

E = m . c^2 / sqrt (1 – (v^2 / c^2)) – m . c^2 (iii)

Ou seja, a eq. (iii) é a energia armazenada para submeter uma massa gravitacional m(sub índice 0) à velocidade v. Quando v ——> c, o primeiro termo do denominador tende a 0 e, portanto, a energia armazenada, tenderá à infinito (∞).

Conclusão: a energia para deslocar um corpo de 10 kg, por exemplo, no limite da velocidade da luz – no vácuo -, tem valor próximo de infinito.

Para se ter uma ideia, a energia produzida na explosão de uma bomba atômica é da ordem de 31,5 x 10^16 J (considerando a massa de 3,5 kg de urânio-235 – quantidade mínima necessária para que ocorra uma reação em cadeia após o bombardeamento do seu núcleo). Sem cálculos, apenas na imaginação, parece ser fácil corpos que possuam massa viajarem a velocidades tão absurdas. Enfim…

A luz não possui massa e sua constante é de 3 x 108 m/s. Nada que possui massa pode superar tal velocidade.

 

 

 Será este o limite da estupidez humana, quando se coloca a ciência a serviço de coisas errôneas?

O problema é que os neutrinos (partículas subatômicas com carga nula) possuem massa (mesmo que extremamente reduzida, a ponto de alguns cientistas consideravam que estas poderiam viajar à velocidade da luz), o que violaria a teoria de Einstein. Na época, existiram pseudos aos montes que vibraram – não por causa da notícia em si, mas, acima de tudo, para ridicularizarem a ciência e o que a mesma nos apresenta. Trataram logo de mostrar que a ciência estaria errada.

Pronto: os pseudos estão certos e a ciência está errada…………………….. not! 😛 Para a infelicidade deles, a equipe do projeto OPERA veio a público informar que existiam erros nas medições dos seus equipamentos e que os neutrinos, na verdade, não viajaram à uma velocidade superior a da luz. Ponto para a ciência.

Sobre o início dessa questão, se faz necessário relembrar outro artigo, escrito pelo Prof. José Gonçalves. Clique aqui.

Entretanto, a questão não é se partículas com massa viajam com velocidades superiores à da luz. Se isso tivesse acontecido, naturalmente, físicos de todo o mundo tentariam elaborar uma nova teoria que atendesse à nova realidade. Se a ciência fosse tão ferrenha de todas as coisas, como defendem os pseudos, não teríamos saído da Física Clássica para a Física Moderna.

Percebe-se que o problema da pseudociência e seus seguidores é não saberem a diferença entre teoria, hipótese, postulado e lei. Para ser lei são necessárias as seguintes etapas:

 

 

Sim, é bem provável que as leis que conhecemos não possam ser aplicadas em outras regiões do Universo, mas valem para o mundo que conhecemos. Certa vez, um cidadão questionou ao Carlos como se define o que é real. Eis a resposta incrível (e bem-humorada) que recebeu:

Atire-se do topo de uma ponte e já fica sabendo o que é real.

 

“Não se esqueça do gibi do Tio Patinhas”

No campo da Química, a Teoria Atômica, por exemplo, passou exatamente por essas fases. O Jonh Dalton elaborou hipóteses acerca da composição da matéria. Posteriormente, a comunidade científica da época as transformou em teoria. Porém, a Teoria Atômica de Dalton não explicava alguns fenômenos que ocorriam quando se faziam experimentos. Anos mais tarde, Thomson elaborou, trabalhando com ampolas de Crookes, um novo modelo atômico. A consequência disso foi a descoberta do elétron e do próton – não imaginado nem previsto por Dalton. Mas seus estudos e sua teoria foram bastante válidos para os trabalhos de Crookes e Thomson. Dando continuidade com o trabalho destes, Rutherford (e graças à descoberta da radioatividade pelo casal Curie) elaborou um novo modelo atômico, no qual seria o mais completo – descobrindo, por sua vez, o nêutron. Já agora, uma coisa que deve ser notada é o apoio que os grandes cientistas de tempos outrora tiveram nos trabalhos e estudos de seus antecessores. Existe uma frase atribuída ao Isaac Newton que sintetiza bem essa “atmosfera” de coletividade entre os grandes da ciência:

Se consegui enxergar mais longe foi porque estive sobre ombros de gigantes.

Notem que Newton estava a falar justamente o seguinte: se ele conseguiu descobrir coisas fantásticas, cujos resultados nós já sabemos 😉 e que modificaram a ciência até hoje, foi porque o mesmo apoiou-se em estudos de físicos e matemáticos anteriores – ou seja, foram a “base” para que ele pudesse descobrir (de modo observável e intuitivo) e publicar suas descobertas.

Fantástica frase, Newtão…

 

É dessa forma que se trabalha a ciência: apoiada uns-sobre-os-outros. Apoiada sobre os ombros de gigantes. E não de cidadãos como o Nassim Haramein, David Icke, Deepak Chopra, etc. – que agradam os que querem ser agradados. Que falam o que os outros querem ouvir.

A ciência não quer agradar ninguém. Ela é o que é. Cabe a nós nos apoiarmos nos ombros de gigantes para descobrirmos as maravilhas que existem em sua estrutura e completitude…

* Exercício proposto extraído do endereço: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAbcIAC/fisica-b

** Agradecimentos ao João Coutinho e Pedro Seixas pela correção deste.

 

66 comentários

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  1. Seixas, escreverei rapidamente, pois estou em horário de almoço.

    As correções estão feitas. Agradeço novamente. 😉 Neste útlimo caso, a bem da verdade, foi uma questão de “lapso” devido ao tempo-corrido, pois não tinha percebido que, já agora, da forma como eu havia colocado anteriormente, existiria a indeterminação ∞ / ∞ , e deveria ser demonstrado a regra de l’Hôpital. (esse era o método que utilizava quando fiz a cadeira Cálculo I)

    Abraços.

  2. Cavalcanti:

    Ainda há umas coisas que podes melhorar e outra que tem mesmo de ser corrigida (e a culpa foi minha mas o Pedro reparou).

    A melhorar (eventualmente): convem colocar no artigo que formulas estamos a usar, são:

    F=m a (força iagual a produto da força pela aceleração)

    W = F d (energia = força v deslocamento)

    São Newtonianas mas servem para mostrar o que se pretende.

    Mesmo para corrigir:

    A aceleração é como o Pedro diz:

    É a variação de velocidade para variação de tempo. Eu por lapso omiti o tempo decorrido porque não interessava para o resultado e fiz a coisa um pouco à pressa, mas não pode ser. A formula tem de ser colocada como ela é , e o Pedro tem razão em assinalar esse ponto.

    O que se passa é que para qualquer tempo finito vamos ter o resultado encontrado.

    Se tivermos tempo infinito para acelerar caímos numa indeterminação e quem sabe é por isso que a Luz pode andar à velocidade a que anda.

    Mas convem corrigir a formula no exemplo. Podemos deixar “sobre Dt” na variação de tempo notando que DT é estipulado como finito. Assim:

    A= (Velocidade final ou C – velocidade incial)/ Dt sendo que Dt se pretende finito para o exemplo.

    Que dizes Pedro?

    1. Coutinho,

      “W = F d (energia = força v deslocamento)”

      Isso não é energia na Física Newtoniana. O “W” significa trabalho de uma força constante paralela ao deslocamento. Tanto trabalho quanto energia possuem a mesma unidade (J), no SI, porém são conceitos diferentes.

      Por que não coloca o desenvolvimento da equação bem organizado aqui nos comentários?; mostre-me onde devo iniciar as substituições, para que possa fazer as correções finais.

      😉

    2. Parece-me que é mais fácil se usarmos logo a fórmula da Energia Relativista que se pode ver aqui:

      http://www.wonderquest.com/2006-08-22-equation.jpg

      ou seja escrevendo-a

      E = m.c^2 / sqrt(1-(v^2/c^2)) (m ou m0 se preferirmos)

      m=massa própria
      v=velocidade da massa m

      Se a velocidade inicial v for zero (v=0), a energia inicial é E=m.c^2

      Para uma velocidade qualquer v >0 a Energia é

      E = m.c^2 / sqrt(1-(v^2/c^2))

      Para se levar uma massa m do repouso (v=0) à velocidade v, é preciso uma Energia que é a diferença das duas equações anteriores:

      E = m.c^2 / sqrt(1-(v^2/c^2)) – m.c^2

      Desta fórmula vê-se que quando a velocidade v tende para a velocidade da luz c, o primeiro termo tende para infinito, e portanto a Energia necessária tende para infinito.

      1. Seixas,

        O artigo está atualizado. Agradeço à colaboração ímpar. 😉

        Abraços.

        • Pedro Seixas on 01/03/2012 at 11:58

        Cavalcanti,

        O denominador do primeiro termo tende a zero:

        sqrt (1 – (v^2 / c^2)) tende a zero

        logo o primeiro termo m.c^2 / sqrt (1 – (v^2 / c^2)) tende a infinito (∞).

        Abraço

    • Renato Romão on 28/02/2012 at 23:53
    • Responder

    Escapou-me tal especifidade!

    Mais uma vez grato pelo esclarecimento. Não tem nada de pedir desculpa Carlos, contribuio de certo para o meu conhecimento sobre o tema. 😉

    Eu é que tenho de lhe agradecer. 🙂

      • Renato Romão on 28/02/2012 at 23:55
      • Responder

      Emendo, “especificidade”.

    • Renato Romão on 28/02/2012 at 20:19
    • Responder

    Boas,

    Espero não vir tarde. 🙂
    Há uns tempos falávamos na importância destes post´s. Ao ler tanto o post como os comentários observa-se o porquê. Excelentes textos, dignos de uma tese de mestrado em psicologia ou em sociologia.
    Tudo está devidamente identificado, o grande problema está claramente na mente arcaica de quem quer e deseja o CAOS!
    A questão essencial prende-se com os tais “se’s”, a ciência está em constante evolução e necessita sempre de confirmações e reconfirmações sobre novas descobertas. Por tal é que se chamam ciências exactas! Os “se’s” são os caminhos do conhecimento, que se desvanessem ou que trilham a luz da sabedoria.
    Em offtopic, vejam esta noticia sobre o livre-arbítrio em; http://exame.abril.com.br/tecnologia/ciencia/noticias/o-livre-arbitrio-nao-existe-dizem-neurocientistas
    Por exemplo, a ida do homem há Lua, todos nós sabemos que foi real (existem provas por todo o lado), no entanto para alguns não “fomos” e aquilo tudo é um filme de ficção. O problema está na mente destes que fazem da vida real uma ficção, sendo até por vezes comparados por mim como deuses criacionistas (tanta prepotência), mas dos próprios mundos deles. Dá ideia de esquizofrenia propositada.
    Contextualizando, os neutrinos até poderão chegar a um local mais de pressa que a luz, desde que se prove (cientificamente) que estes consigam pular entre dois locais.
    (Quem não se lembra do famoso portal do Star Trek ):)
    Na minha opinião a confirmar-se já não cá estaremos para assistir.
    Mas, VIAJAR como a luz no vácuo à mesma velocidade, já todos sabemos que até ao momento é impossível. 😉
    Em conversa de amigos até comparei esta questão com a ida do Cristiano Ronaldo para o Benfica. 🙂
    Nada a que não estejamos já habituados, mais um excelente post do meu amigo.
    Jonas, a abordagem mais que exemplar de raciocínio lógico e crítico sobre o tema.

    Abraços

    1. Só um pequeno “senão”.
      Em Star Trek, não eram as pessoas que viajavam mais depressa que a luz. A pessoa original morria, e criava-se um clone no local de origem. Isso até deu direito a pelo menos um episódio em que existiram 2 Rikers, devido a um erro de computador que não matou o original.
      Mas é certo que a informação viajava mais rápido que a luz… a informação sobre a pessoa, como reconstruí-la.
      Mas na verdade não viajava mais depressa que a luz. Viajava era em subspace – um artifício de “atalho” que não pertence ao espaço normal.
      http://en.memory-alpha.org/wiki/Subspace
      Por isso, no espaço normal, mesmo em Star Trek, nada viaja mais rápido que a luz 🙂

      Claro que os neutrinos neste caso podem ter descoberto um atalho no espaço, que nunca nos demos conta antes na realidade… essa por acaso tinha sido uma das hipóteses em cima da mesa… 😉

      Peço desculpa pelo meu preciosismo no assunto de Star Trek 😀

      1. Carlos,

        Apenas uma dica: essa notícia que o Renato Romão expôs em off topic não poderia ser colocada em post posterior? 😉 São 4 páginas, com alguns trechos interessantes. Penso você ser o mais capaz a escrever um artigo.

        😉

        Abraços.

      2. Não é a minha área 🙂

    2. De maneira nenhuma, Renato.

      Você é um bom amigo sempre a prestigiar. 🙂

      Mas vamos com calma nesse trecho, ok?: “(…) dignos de uma tese de mestrado em psicologia ou em sociologia.”

      Menos que isso. Já agora, deixemos a psicologia e sociologia aos que estão a se tornarem mestres nessas áreas. 😉

      Abraços cordiais.

      😛

  3. Ahhh..estes cientistas que têm a mania de corrigir quando se enganam e lhes chamam à atenção…não aprendem nunca!

    🙂

    JOKING!!

    1. Estamos sempre a aprender… 😉

      Abraços.

      🙂

  4. Já agora, o artigo está atualizado de acordo com as correções de João Coutinho e Pedro Seixas.

    Inclusive da frase do Carlos – já agora fui checar e seria “ponte”, ao invés de “prédio”:

    http://www.astropt.org/2011/12/12/ressonancias-da-torrada-das-17h/#comment-49954

  5. Cavalcanti, gostei muito do texto!

    Essa falsa “teoria” de que a ciência não é de fiar só porque se vão descobrir coisas novas está demasiado estendida e deve ser explicado, como bem o fizeste, como funciona a ciência, como avança o conhecimento científico, como é diferente ter dois cientistas com opiniões contrárias sobre o papel do gene X na evolução do animal Y a ter cientistas a duvidar da evolução.

    Vou partilhar o seu texto no meu blog (Armarium Libri), posso?
    🙂

    Bem haja!

    1. À vontade, Diana. Não se faz necessário pedir permissão…

      😉

      Abraço.

  6. Abidos,

    Só interessa aparecer na mídia o que interessa a massa ver. A mídia lida com a massa, ela foi feita para isso.

    Neutrinos interessam a pouquíssima gente, essa é a verdade, a absoluta maioria nem sabe o que são, mesmo tendo nível de formação superior. Mais uma vez é um problema da mídia ou da educação que não levou essa informação sobre os neutrinos democraticamente para todos? Espera aí, tem tanto conhecimento sobre tanta coisa, é preciso filtrar, esse assunto vai aumentar a consciência das pessoas? Nem todo conhecimento deve ou precisa ser massificado.

    Mas quando chega uma novidade quente que pode mexer com a aura criada (de forma justa) em relação à genialidade consagrada de Einstein, pode interessar à mídia falar desse caso dos neutrinos, porque aí a referência é o Einstein (que a maioria já ouviu falar) e a velocidade da luz, do qual o assunto neutrinos está relacionado.

    Acho que foi divulgado sim, nos lugares que devia, a nova informação, e só não teve impacto maior porque a primeira notícia já dizia que haveria necessidade de comprovação. E mesmo o desmentido agora diz que será preciso comprovação do próprio desmentido, ou seja, não se noticia coisa pela metade para a massa num assunto tão específico, está nos conformes.

    Indo além…

    Mesmo se tivéssemos uma mídia controlada só por cientistas e pesquisadores divulgando só informação e conhecimento balizado, sem influências das crenças, ideologias, religiões, etc.. as consciências não se expandiriam porque conhecimento, novo ou não, só interessa 1) a quem está pronto para recebê-lo e entendê-lo, dependerá do nível de consciência das pessoas, que é muito diverso e 2) dependerá da intenção de recebê-lo, mesmo que esteja pronto para tal. Não tem utilidade alguma a mídia de massa divulgar o que interessa só a meia dúzia, mas agora essa meia dúzia tem um canal para saber o que lhe interessa, vai procurar na internet esse conhecimento.

    O conhecimento está complexo, diverso, multifacetado, segmentado, em níveis cada vez mais profundos exponencialmente, ou seja, cada pedaço de conhecimento não serve para toda a massa, mas a internet permite a segmentação de forma muito fácil. No mundo do conhecimento, o AstroPT lida com temas muitos específicos, e tem de ser assim mesmo.

    A ciência avança a passos largos em milhões de temas fantásticos, estamos já no mundo surreal de novidades, até o pessoal especializado se surpreende. Anteontem vi algo impensável para esses dias, no NatGeo, uma máquina “impressora” que constroi peças a partir de um simples escaneamento 3D de um modelo de peça que já existe, qualquer peça. Isso é útil para construções no espaço, não será preciso levar a peça, só a “impressora”. Então, mesmo que explicassem o conhecimento ali embutido, poucos entenderiam. O conhecimento cada vez mais especializado fica cada vez mais longe da grande massa que não se especializa por motivos óbvios, que vai só usar o fruto do conhecimento, mesmo porque a própria massa não vai se interessar por saber como funciona ou a base científica ou técnica daquilo.

    O caminho natural dessa evolução está já muito explícito, não tem como todo mundo acompanhar o conhecimento em todas as direções. Mais, pode minha cabeça saber muito e muito de células-tronco, mas de celulares ultra sofisticados só vou querer usá-lo, não me interessa o que tem dentro ou como foi feito ou o conhecimento de antenas e sinais. Alguém da massa sabe como funciona a eletricidade, um dos assuntos mais antigos do conhecimento? Não, mas todos usam-na há décadas, e isso basta.

    E assim continuará sendo para cada área do conhecimento, poucos sabendo de um conhecimento muito aprofundado na área em que atuam, mas não sabendo de mais nada das outras áreas, e a grande massa será apenas “usuária” do conhecimento, não saberá nem conhecerá quase nada, realmente, mas não por imposição, simplesmente porque não podem acompanhar, a ciência e o conhecimento não podem avançar na velocidade dos mais lerdos, para acompanhá-los, mesmo porque isso seria nonsense, coisa de doido, nem os mais rápidos da massa estão interessados nisso.

    E os que sabem um pouco porque tomaram conhecimento por algum meio ainda assim pode não fazer efeito o conhecimento adquirido para mais consciência, em função das crenças que essas pessoas defendem. Esse assunto já se tocou muito por aqui, as crenças são os maiores motivos que definem, na massa, o impedimento para que o conhecimento tenha força de verdade, porque as crenças pessoais não deixam, mesmo em pessoas com alta capacidade intelectual.

    1. Muito bom comentário, Jonas.

      😉

  7. Já agora, deixo também a informação que no nosso Facebook se esteve a discutir isto 🙂

    http://www.facebook.com/astropt/posts/250716751680420

    http://www.facebook.com/astropt/posts/194188424020022

    🙂

    1. O Coutinho e o Seixas estão corretos.

      😉

      Acabei de chegar em minha residência. Vou refazer a parte dos cálculos daqui algumas horas.

    2. Já agora, eu não estou no facebook porque eu não tenho um. 😛

      Possuo MSN, mas não tenho tanta empatia por redes sociais.

      😉

      Abraços.

    3. Carlos,

      Deu pra ver os debates do facebook. Estão bem interessantes!

      Isso é bom. 😉

      Abraços.

    4. Oi,

      Coloquei aqui a informação para o Cavalcanti poder ler, já que são sobre isto 😉

      abraços

      1. Olá, Carlos.

        Estive em compromisso familiar o dia inteiro. Já agora, de modo a conservar a equação da massa relativística, achei um exercício proposto na internet e tentei resolvê-lo. Acredito eu estar correto. 😉

        Mais uma vez, tanto o Coutinho quanto o Seixas estão corretos: a minha proposta inicial não poderia resolver pela equação que apresentei anteriormente. Entendi perfeitamente suas respectivas explicações, contudo preferi apresentar um problema mantendo-se fiel à equação da massa inercial que já estava ilustrada no artigo e determinar a velocidade da nave do problema – e cá agora, não é extraterrestre 😉 – quando a mesma sofresse um aumento em sua massa em v ≠ 0.

        Reitero meus agradecimentos a ambos por apresentarem as falhas contidas.

        Aprendi bastante também.

        Abraços cordiais.

        😉

  8. Sim Coutinho. Estou em uma outra festa de aniversario acompanhando aqui o Astropt por Android e com meu filho aqui no braco. Por isso ademora em responder. Assim que chegar em minha residencia, farei as mudancas pertinentes 😉

  9. Cavalcanti (conti)

    Por exemplo, considerando ter disponível a energia 90x10e16 para um a massa perto de infinito:

    Se F= ma

    e E = F d

    E= m a d (energia é igual à massa vezes aceleração vezes deslocamento)

    90x10e16 = m a d ou seja

    a aceleração dos 10Kg é 90x10e16 dividir pela massa (perto de infinito para perto de C) e depois a dividir ainda pelo deslocamento efectuado.

    Ou seja a aceleração dessa energia toda será francamente perto de 0 para massas perto de infinito que é o que acontece perto da velocidade da luz.

    Está mais claro?

  10. Carlos, ao comentario do Pedro Parreira, penso que voce eh o melhor a se expressar… 😉

  11. Caro Cavalcanti:

    É assim. As formulas relativisticas estão certas. Mas E=mc2 não é para dar a massa a uma determinada velocidade, é para dizer qual equivalencia da materia em energia em repouso. Para dar a massa em movimento tem de usar outra formula que reproduz correctamente no post.

    Depois precisa ter em mente que a Energia é o trabalho realizado por uma força. Ou seja é o resultado da força multiplicado pelo deslocamento. Por outro lado a força é igual à massa vezes a aceleração. Como para acelerar um corpo até à velocidade da luz vamos precisar de forças (F=ma e a= dV/t, como dV é de 0 para C…) cada vez mais proximas da da luz, para saber a energia nesseçãria temos de multiplicar este valor ja proximo de infinito pelo deslocamento realizado por esses 10Kg durante a aplicação dessa força. A unica resposta correcta é que se a velocidade é perto da da Luz esse valor é perto de infinito. Nunca 90x10e16

  12. Boa noite.
    Quero antes demais felicitá-lo por esta explicação.
    A minha formação académica (12º ano Física, Quimica e Matemática e freq. 1º ano de Eng. Material na FCT/ U Nova de Lisboa) não é comparável à de quem habitualmente comenta nesta página, mas aliada à auto-didáctica, permite-me etender até certo limite os temas aqui tratados. Tanto que me senti à vontade para comentar este.
    Não quero que me entendam como defensor dos alegados cientistas (não gosto da palavra “pseudos”), mas parece-me que têm uma obsessão pelos ditos. Eu opto por ignorá-los e deveriam fazer o mesmo, pois esta página apenas chega a quem procura a ciência verdadeira e perde-se tempo com um tipo de pessoas com o qual não vale a pena perde-lo.
    Concordo totalmente que a divulgação científica já viu melhores dias e espero que a geração BIG BROTHER esteja condenada à extinção.
    Por outro lado não posso concordar que a experimentação conduza a leis, pois que após nova experimentação com métodos mais evoluidos, as teorias anteriormente aceites são provadas desajustadas. Algumas dessas leis mantêm-se em uso em referenciais condicionados e ignorando caracteristicas de valor desprezável. Peguemos no exemplo do texto, a Teoria Atómica, que evoluiu ao longo de milénios, tendo chegado agora a um impasse, o bosão de Higgs não existencia poderá trazer um grande rebuliço à Física.
    É citado Newton, “Se consegui enxergar mais longe foi porque estive sobre ombros de gigantes.”, e um dos gigantes sobre o qual Newton se ergueu foi sobre Sócrates( o da antiguidade) que disse “Só sei que nada sei, e o facto de saber isso, coloca-me em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”
    De facto sabemos muito pouco. Podemos até não saber nada, pois o simples facto de experimentarmos altera a realidade. Ou até que ponto algo deve ser considerado ciência ou não ciência.
    Na série de tv THROUGHT THE WORMHOLE WITH MORGAN FREEMAN o Prof Michio Kaku, entre outros cientistas e investigadores, aparece num episódio a falar sobre o sexto sentido.
    Não pretendo desrespeitar os conhecimentos de ninguém, apenas acho que ao devemos ter uma mente tão aberta, que o cérebro cai, mas suficientemente aberta para precistirmos na dúvida metódica e aceiutarmos que aquilo que hoje temos por verdadeiro amanhã pode ser provado falso, incompleto ou desajustado.

    1. Olá Pedro,

      “A minha formação académica (…) não é comparável à de quem habitualmente comenta nesta página”

      Toda a gente pode comentar aqui, independentemente da formação académica. Basta vir por bem. 😉

      “Não quero que me entendam como defensor dos alegados cientistas (não gosto da palavra “pseudos”)”

      Mas eles não são cientistas, são vigaristas que andam a enganar as pessoas.
      Não confunda os conceitos.
      Eles são pseudos, sim.
      Não é uma questão de gostar. Pseudociência é definida objectivamente.

      Ciência não são “ideias no ar” ditas por quem quer vigarizar outros.

      “Eu opto por ignorá-los e deveriam fazer o mesmo”

      Na minha opinião, essa é uma atitude totalmente errada.
      É devido a ignorar-se que eles depois estão em todo o lado a enganar meio mundo, porque quem sabe não quer mostrar que sabe provando esses pseudos como simples vendedores de banha de cobra.
      Depois que conhecimento podem ter as pessoas em geral, se os únicos a dizer coisas são os que dizem parvoíces?

      Se o Pedro ler comentários, percebe que até são os leitores que muitas vezes nos perguntam sobre isso.
      Umas vezes escrevemos posts, outras vezes só respondemos aos comentários.
      Ainda hoje respondi a um sobre sobre “explosões de bombas atómicas na Lua” que os pseudos andam a dizer que está a acontecer… enfim.
      Desse assunto não viu post. Como vê, até falamos menos do que aquilo que nos perguntam.

      “o bosão de Higgs não existencia poderá trazer um grande rebuliço à Física.”

      Porquê?
      O que é o bosão de Higgs para si?

      “É citado Newton, “Se consegui enxergar mais longe foi porque estive sobre ombros de gigantes.”, e um dos gigantes sobre o qual Newton se ergueu foi sobre Sócrates”

      Por acaso costuma-se dizer que foi nos ombros de Galileu e Kepler.

      “Sócrates( o da antiguidade) que disse “Só sei que nada sei, e o facto de saber isso, coloca-me em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.””

      Sócrates sabia muito pouco.
      Nós sabemos muito.
      A prova disso é que Sócrates não sabia o que era a gravidade, nunca a soube explicar, na altura dele morria-se por qualquer coisinha, e ele nem sequer tinha internet para difundir essa frase dele que nada diz. Já nem vou falar em leis do magnetismo, electricidade, carros, aviões, planetas no Universo, estrelas, etc.
      Nós temos esse conhecimento. O Pedro tem esse conhecimento se quiser ter acesso a ele. Logo, sim, sabemos muito mais que o Sócrates.

      “aquilo que hoje temos por verdadeiro amanhã pode ser provado falso, incompleto ou desajustado.”

      Não e sim.
      A dicotomia de que o que dizemos hoje pode ser mentira amanhã, é uma frase sem qualquer sentido, se as pessoas perceberem a natureza da ciência.
      O post fala disso.
      E este meu post também:
      http://www.astropt.org/2011/08/23/ciencia-nao-erra/

      Quanto ao Michio Kaku, sugiro que fale com ele directamente, em vez de se ficar pela imagem popular dele, em que, obviamente, usa conceitos para “vender”. Ele sabe o que é marketing. O mesmo se passa com o Hawking, por exemplo.
      Da mesma forma que eu, para difundir o meu curso, ponho greys, mas depois no curso percebe-se que greys não existem. Se o Pedro só vir a publicidade, não fica a saber muito…

      E note que eu até gosto do Kaku, e tenho livros dele. Mas é preciso saber separar a especulação do que é a ciência em que ele se baseia. E só porque o mundo será muito diferente no futuro, não quer dizer que o que sabemos hoje é errado. Da mesma forma que a Internet Analógica não era errada, só porque hoje usamos Internet Digital.
      http://www.astropt.org/2011/08/23/ciencia-nao-erra/

      abraços

      1. Comentário perfeito, Carlos.

        Nesse caso acertei quando esperei seu comentário. 😉

      2. Apenas um acrescento ao comentário do Carlos.

        Pedro, concordo que devemos manter a mente aberta sem prender-nos à certas coisas. Entretanto, quem segue a pseudociência tem como seus “ícones” cidadãos como o Nassim Haramein, David Icke, Deepak Chopra, Klaus Dona, etc.

        Já assisti diversas palestras do Nassin Haramein: a soberba desse cidadão em suas palestras é notória. Coisa jamais vista em um dos maiores gênios da ciência, o Albert Einstein, por exemplo. Por vezes, gosta de se gabar com os próprios disparates que faz. Deixa nítida sua zombaria acerca da ciência – tal como a conhecemos. Que estudamos. Que se faz correta todos os dias. Já tratamos sobre essa problemática em comentários anteriores aqui no AstroPT. Pior, é uma pessoa que ensinou ciência a si próprio.

        A título de comparação, os grandes nomes da ciência não estudaram por si próprios. Alguns deles se mostravam até autodidatas, porém ingressaram na Universidade afim de aparar as arestas de suas próprias didáticas. E, mesmo assim, alguns se renderam à pseudociência (ver os notáveis Edmund Halley e Leonhard Euler acerca da Teoria da Terra Ôca). Qual foi o resultado disso? O óbvio: eles estavam equivocados nesse quesito. 😉

        Note que não estou a falar do Nassin Haramein como pessoa em seu convívio social 😉 – e sim como o mesmo se apresenta em suas palestras.

        Prosseguindo, com relação à esse trecho do seu comentário:

        “(…) que o cérebro cai, mas suficientemente aberta para precistirmos na dúvida metódica e aceiutarmos que aquilo que hoje temos por verdadeiro amanhã pode ser provado falso, incompleto ou desajustado.”

        Sim, tens certa razão. Porém, deve-se manter a racionalidade e a perspicácia entre o que pode ser duvidoso e o que simplesmente é o que é.

        Fique à vontade para poder expressar sua opinião.

        🙂

        • Pedro Parreira on 01/03/2012 at 04:10

        Boa noite.
        Aposto que pensavam que se tinham livrado de mim :0)
        Agora sério. Demorei a assimilar os vossos comentários ao meu post e a compilar mais elegações. Mais, Carlos, se não tivesse já lido nesta página, sobra a sua acutilância, suspeito que me teria sentido ofendido ou no mínimo melindrado, não com o conteúdo mas com a forma. Mas adiante.
        De facto a pseudo ciência está definida mas existe uma grande área cinzenta entre pseudociência e ciência. Os exemplos que encontrei, iridologia, quiropraxia baseada em subluxação, reflexologia, terapia dos meridianos, acupunctura, algumas têm décadas e outras milénios de experimentação. A própria físico-química começou por ser um conceito filosofico, passou pela alquimía e trouxe-nos hoje ao bosão de Higgs( já lá vou). Encontrei referências à teoria atómica que datam ao Séc. XII A.C. A diferênça clara está naqueles que usam a pseudo ciência para prejudicar intencionalmente, tirar proveito dos outros. A meu ver existe no mundo 70% ciencia, 25% zona cinzenta e 5% pseudociencia. E estes últimosnão me aquecem nem arrefecem.

        Moschus of Sidon sec. XII A.C. é considerado como pai da teoria atómica,Leucippus é visto por outros como pai do atomismo, Democrito discípulo de Leucippus é considerádo pai da ciência moderna, Sócrates criou a essencia do método científico, Platão imaginou a existencia de particulas sub-atómicas. A obra Aritóteles , discípulo de Platão serviu de base à física de Kepler. Copernico, era aluno de Albert Brudzewski que ensinava Filosofia aritotleana e astronomia serviu de base à descobertas de Galileu. Todos ao molho e ainda pomos Newton em coma deste, depois Einstein e Hawkins. Todos têm por alicerces a pseudociência de Moschus of Sidon

        Carl Sagan acerca Platão: “Science and mathematics were to be removed from the hands of the merchants and the artisans. This tendency found its most effective advocate in a follower of Pythagoras named Plato.” and: “He (Plato) believed that ideas were far more real than the natural world. He advised the astronomers not to waste their time observing the stars and planets. It was better, he believed, just to think about them. Plato expressed hostility to observation and experiment. He taught contempt for the real world and disdain for the practical application of scientific knowledge. Plato’s followers succeeded in extinguishing the light of science and experiment that had been kindled by Democritus and the other Ionians.

        Sabemos imensamente mais que Sócrates, mas saberemos infinitamente menos que os nossos descendentes.

        Quando me digo autodidacta não digo que aprendo sózinho ciência. Quando quero aprender algo sobre um assunto pego nos autores com obra publicada e reconhecidos pela comunidade académica.

        A dicotomia de que o que dizemos hoje PODE ser mentira( incompleto ou desajustado) amanhã, é uma frase com todo o sentido. A sardinha é um peixe gordo, que há uns anos era interdito a quem tinha problemas de colesterol, fígado….. Actualmente sabemos que não só a gordura da sardinha e outros peixes é benéfica para quem tem problemas de colesterol, como sabemos que nem todo o colesterol é mau. As radiações solares que sempre foram consideradas como essenciais à vida, sabemos hoje que nos podem matar. Na teoria atómica a matéria começou por ser continua, depois constituida por particulas, depois dividiram essas particulas no “bolo de passas”, mais tarde com os electrões em orbitas fixas, depois em nuvens electrónicas…. Os modelos de sistema solar Geocentrico e Heliocentrico……

        Para concluir, também não penso que a Internet analógica estivesse errada nem o “bolo de passas” estava errado. Era o melhor que tinhamos na época com os meios à nossa disposição

      3. Eu sinceramente não percebi o seu comentário…

        Qual é o seu ponto ou pontos?

      4. Olá, Pedro. Boa noite. 😉

        Sei que se referiu em tom de brincadeira nesse trecho: 😉

        “Aposto que pensavam que se tinham livrado de mim (…)”,

        Mas aqui, de modo particular, não é discutido se estamos certos ou não. Teorizo que o ego deve ser mínimo (como acredito que deveria ser em todas as ocasiões e não somente nestas) quando se está a transmitir conhecimento científico. Este sim é muito mais importante que qualquer “vontade” em querer “vencer” debates. 😉 Portanto, faço das palavras do Carlos as minhas: não dou opinião. Tento transmitir conhecimento. E, raras às vezes, emito opiniões pessoais. Menos ainda, por exemplo, minha fé em um Ser Superior e minhas crenças religiosas. Mas percebo que necessitarei expor acerca de algumas destas questões já aqui nesse comentário…

        Sobre a capacidade de ir à fundo nos temas, com força, a que você se refere à pessoa do Carlos, acredito que o mesmo (o Carlos) pode dizer, como ninguém, algo a respeito disso. E, por se tratar da personalidade de cada um, que é inerente a cada pessoa, por uma questão de respeito de minha parte, não estão aqui a serem chamadas.

        Sugiro ouvir essa palestra que o mesmo deu na rádio TSF:

        http://www.astropt.org/2008/06/27/carlos-oliveira-tsf/

        Cá agora, apenas descrevendo com a maior superficialidade possível sobre impressões humanas, tenho a desconfiança que você se surpreenderá. 😉

        Eu, por exemplo, tento separar, por algumas vezes, opiniões de pessoas em si. Evidentemente, não se aplica a todos. Cabe a você, portanto, em certas circunstâncias, fazer tal separação. Caso queira, naturalmente… 😉

        Uma vez essas questões deixadas de lado, prosseguiremos com a discussão..

        Com relação ao resto do seu texto, concordo com tudo que você disse! Agora, vem a surpresa: não foi a pseudociência que deu suporte à ciência em si, mas tão somente a ciência pela ciência – com sua tendência natural ao ajuste. Explico: entre os anos de 500-1500 d.C, foi desenvolvido entre os povos europeus e principalmente, árabes, a questão que você citou, a Alquimia – que por sua vez, deu suporte à Iatroquímica. Os verdadeiros alquimistas contribuíram sobremaneira para o desenvolvimento das técnicas químicas. Mas não tratavam em explicar os fenômenos (químicos). A questão é: por que durante muito tempo a Alquimia foi sinônima de vigarice? Porque, já naquele tempo, existiam vigaristas aos montes, à custa da boa fé das pessoas, que publicavam disparates – verdadeiras odes à ignorância e ao charlatanismo. Da mesma forma dos tempos de hoje – onde ufólogos sérios, por exemplo, lutam para trazer seriedade à Ufologia – que deveria ser tratada como tal, porém não é devido a pseudos, por vezes, publicarem ou simplesmente repassarem fotos e vídeos falsos – quiçá pássaros como sendo ovnis. Nem entrarei na parte de “canalizações alienígenas”, pois acredito que se trata de uma questão pessoal, por mais que esses cidadãos gostem de divulgar sobre tais… (já agora, não colocarei link’s desse blog totalmente aparvalhado)

        Com relação à Leucipo, já era sabido. Mas com relação à Moschus de Sidon, perdão, nada sei a respeito. Mas procurarei saber. (agradeço pela informação repassada 😉 )

        E como não sei ainda nada a respeito de Moschus de Sidon, vou deixar em aberto esse trecho do seu comentário:

        “Todos têm por alicerces a pseudociência de Moschus of Sidon”.

        A saber quem criticava as ideias deste na época. E, se de fato o Moschus de Sidon estava a fazer pseudociência ou ciência a ser desvendada. 😉

        Com relação a esse outro trecho:

        “Sabemos imensamente mais que Sócrates, mas saberemos infinitamente menos que os nossos descendentes.”

        Sim, caro Pedro. Compreenda isso: isso é ciência! Isso é evolução científica – com passos lentos, porém firmes. A pseudociência nada sabe acerca destas coisas. Nunca acerta.

        Se dependêssemos das ideias dos vigaristas, não tínhamos chegado ao grau de evolução que chegamos – onde, em tempos remotos, se endeusava o sol e de Deus o sol não tem nada. Não estou a dizer que os povos antigos que o endeusavam eram vigaristas. Mas o sol nunca foi e agora já sabemos. Se existissem conspirólogos-de-plantão, já naquela época, pelo seu “modus operandi”, talvez ainda estivéssemos a endeusá-lo. 😉 Entendes a comparação? E isso não quer dizer que o que os vigaristas afirmam hoje amanhã pode ser verdade. Não existem flutuações da matéria onde existe a força da gravidade; não existem implosões da 3º dimensão; não existem et’s a nos visitarem; não existe a cura para todas as doenças apenas com o poder da mente; não existe um planeta chupão, com órbita de 3600 anos, que levará as pessoas que não evoluíram; não existe nada de anormal na Terra; não existe aumento nas atividades sísmicas, nem aumento nas atividades vulcânicas, tampouco mudança abrupta nos campos magnéticos da Terra devido à aproximação de um planeta errante. E tantos outros disparates.

        Por fim, deixei esse trecho (que faz a parte introdutória do seu comentário) para o fim:

        “(…) iridologia, quiropraxia baseada em subluxação, reflexologia, terapia dos meridianos, acupunctura, algumas têm décadas e outras milénios de experimentação.”

        Sim, os médicos sérios estão a estudar alguns benefícios da medicina alternativa. E, por vezes, já fizeram saber que estas ajudam si em alguns tratamentos. Porém, apesar de ajudar, esta, para o homem moderno com sua função biológica atual, jamais irá se curar sem um tratamento adequado pela medicina convencional. A ciência jamais terá a irresponsabilidade de afirmar que agora todos nós somos médicos de si. Compreendes?

        Agora, é evidente que algumas plantas tenham capacidade de curar doenças ainda não curáveis. Algumas já se mostraram eficientes, tais como açafrão, alecrim, arnica, babosa (e cá agora, não é a Diana 😉 ), capuchinha, etc. . Carece de mais estudo nesse tema. Talvez não se estude de modo mais aprofundado sobre os possíveis benefícios de plantas medicinais devido aos lucros anuais das indústrias farmacêuticas em todo o mundo. Mesmo assim, as vacinas, de um modo geral, têm se mostrado eficientes.

        Vamos parar de tomar vacinas? Ou deixar de ser consultar ao médico? Acredite: isso é o que quer a pseudociência (a ver vídeos no Youtube).

        A ciência, através de observações e estudos de cientistas (talvez não tão populares e conhecidos no mundo científico), diz que uma vida saudável, associada com alimentação adequada e sem carga de stress, ajuda em muito na diminuição e até prevenção de futuras doenças. Eu, particularmente, logo quando acordo, após minhas orações matutinas iniciais, tento meditar e esvaziar a mente por alguns minutos. Isso me faz me sentir bem: esqueço das tarefas do meu trabalho; dos meus estudos e das outras responsabilidades e compromissos do dia. Mas isso não impede que eu agora consiga ser curado só pelo poder da mente – levando a uma ideia errônea de que não irei mais ao médico fazer meus exames preventivos.

        Vou finalizar por aqui. Já agora, são 02h56min no horário militar e daqui a pouco começam as minhas obrigações diárias.

        Abraços, Pedro.

      5. Só 3 complementos ao seu comentário Cavalcanti:

        – não existe medicina alternativa. Porque a alternativa não é medicina.
        Assim como só existe medicina natural. Os medicamentos foram desenvolvidos a partir da natureza, sobretudo plantas.
        Claro que os vigaristas disseminam informações contrárias a isto. Pudera.

        – alguns usam argumentos pseudos do género: “os cientistas estudam X”.
        Ou seja, é o paradoxo de, enquanto dizem mal da ciência, vangloriam-se que uma das vantagens da ideia deles é que a ciência estuda isso. LOL Enfim…
        No outro dia tive uma discussão com um crente em Reikki que dizia que uma organização internacional estava a estudar isso. Segundo ele, se a instituição credível estudava isso, então é porque o Reikki era credível. Fui ver o estudo, e as conclusões eram: o Reikki nada vale e tem resultados perfeitamente explicados pelo simples placebo.
        Lá está, as vigarices continuam, porque as pessoas só dizem metade das coisas, escondendo o que não lhes convém.
        Estas “alternativas” normalmente andam de braço dado com o argumento falacioso do Apelo à Antiguidade, de que só porque algo é uma prática antiga, como ter escravos ou fazer sacrifícios humanos para ter Sol, então é porque os antigos sabiam o que faziam. Enfim…

        – “A pseudociência nada sabe acerca destas coisas. Nunca acerta.”
        Precisamente. E nada mais há a dizer 😉

        abraços

      6. Carlos,

        “não existe medicina alternativa. Porque a alternativa não é medicina.
        Assim como só existe medicina natural. Os medicamentos foram desenvolvidos a partir da natureza, sobretudo plantas.”

        Consegui compreender o que você quis dizer exatamente sobre esse trecho. Portanto, foi lapso meu ao expressar “Medicina Alternativa”. 😉

        Note que concordo com as assertativas do Pedro Parreira, neste seu útlimo comentário, fazendo apenas algumas ressalvas – mostrando-o que suas afirmações acerca de métodos científicos, na antiguidade, como sendo pseudociência, seriam na verdade a própria ciência e seu método natural de evoluir.

        Cá agora, o trecho abaixo, penso ser muitíssimo importante:

        “Ou seja, é o paradoxo de, enquanto dizem mal da ciência, vangloriam-se que uma das vantagens da ideia deles é que a ciência estuda isso. LOL Enfim… No outro dia tive uma discussão com um crente em Reikki que dizia que uma organização internacional estava a estudar isso. Segundo ele, se a instituição credível estudava isso, então é porque o Reikki era credível. Fui ver o estudo, e as conclusões eram: o Reikki nada vale e tem resultados perfeitamente explicados pelo simples placebo. Lá está, as vigarices continuam, porque as pessoas só dizem metade das coisas, escondendo o que não lhes convém.”

        Isso existe aos montes em comentários de determinados sítios na internet. Dia desses, por exemplo, vi que estavam a tratar sobre a questão da sensibilidade dos animais em “preverem” catástrofes. Até o ponto de um comentador que os seguem, afirmar que os pseudos é que se atentaram à tal fato e os cientistas, posteriormente, estão a estudar o tema. Não sei se é questão de pura ingenuidade. Se tais animais conseguem, de fato, preverem de alguma forma catástrofes à curto e/ou médio prazo, com certeza a ciência estudará e tentará aperfeiçoar esse mecanismo a fim de aumentar o tempo de aviso. Mas a pseudociência, mais precisamente, os pseudos, ficarão apenas em divulgar ou repassar informações (e desinformações também). Animais “prevendo” catástrofes, não tem nada de extraordinário nisso – como querem pensar outras pessoas, dando a entender isso, ou como forma de ridicularizar os cientistas. A não ser que golfinhos sejam animais trazidos por Enki e Enlil. 😉

        A pessoa critica a NASA, mas possui link’s para monitorar as sondas do mesmo; se utiliza do seu símbolo para anexar nos símbolos dos seus “projetos” ou repassa notícias que esta publica. Pensei que esta agência não fosse, portanto, tão confiável assim. Enfim…

        A pessoa critica os cientistas e especialistas, por vezes, em tom de deboche, mas não consegue sair da frente de um computador e ir à campo pesquisar por si só a problemática. As notícias em sua maioria são “hoax”, contudo o mais importante é fazer barulho e o ego inflar. O importante é apenas repassar (em sua maioria). Veja recentemente as questões das caixas “misteriosas” que supostamente apareceram na costa do Oregon. Pronto: surgiram caixas que caminhões mal conseguiam arrastar; “houve um aumento no número de avistamentos” de ovnis (vai ver eles queriam pegar suas caixas pretas); animais que se comportavam de maneira diferente; caixas que pareciam sair gemidos;o isolamento da área pelo governo e a chegada de Will Smith (MIB). O fim disso tudo? Infelizmente, não havia nada lá: “Enviei alguns assistentes neste fim de semana para as áreas de praia onde supostamente estariam as caixas e não há nada lá”, segundo Hanshumaker.

        E as “histórias” que cerceiam o fato principal? (momento de reflexão 😛 )

        Enfim, é um disparate maior que o outro.

        🙁

  13. Já agora, Coutinho e Seixas, fiz uma atualização e gostaria que vocês pudessem revisar.

    Peço perdão pelos equívocos. Faz muitos anos que estudei Relatividade nos tempos do ensino secundário.

    1. 🙂

      Eu não estudei relatividade do secundário. Estudei mecanica quantica. Felizmente existem maravilhosos livros sobre a relatividade por aí que para nerds como eu são mel.

  14. Apenas uns reparos

    “Para se ter uma ideia da quantidade de energia necessária para qualquer matéria viajar à velocidade da luz, tomemos como exemplo um corpo de massa 10 kg:

    Dados:
    m = 10 kg
    c = 3 x 10^8 m/s
    Substituindo na equação E = m.c^2, temos:
    E = 10 . (3 x 10^8)^2
    E = 90 x 10^16 Joules

    Conclusão: para mover um corpo de apenas 10 quilogramas, à velocidade da luz, é necessário uma energia da ordem de 90 x 10^16 J.”

    Esta energia E = 90 x 10^16 Joules é a energia da massa de 10 kg no referencial em que ela está em repouso. Não é a energia para mover o corpo à velocidade da luz. A energia para mover qualquer corpo com uma massa maior que zero à velocidade da luz é infinita. Ou seja é necessário uma energia infinita para fazer com que qualquer corpo com uma massa maior que zero atinja a velocidade da luz.. A energia é dada pela fórmula relativista:

    E = m0.c^2 / sqrt(1-(v^2/c^2))

    onde sqrt é a raíz quadrada e m0 é a massa em repouso. Desta equação vê-se que quando a velocidade v do corpo tende para a velocidade c da luz (v —-> c), a energia tende para infinito.

    Também podemos escrever

    E = m.c^2

    com a massa relativista m dada por

    m = m0.c^2 / sqrt(1-(v^2/c^2))

    m0 = massa própria ou massa em repouso é a massa medida no referencial em que a massa está em repouso

    1. Pedro, fazendo um copy paste do comentário mais acima…

      “O exemplo que resolvi no artigo se refere à quantidade de energia necessária para provocar uma pequena mudança na velocidade do corpo. Não se refere quando este está à velocidade-limite da luz.”

      Por isso que os comentários são enriquecedores. São nada mais, nada menos, que extensões do próprio artigo – e já agora, melhores que este. 😉 “

    2. Sim Pedro, estas correcto. Vê as minhas correcções mais abaixo simplificando:

      F (força) = velocidade da luz – velocidade inicial (aceleração) x massa

      F = C x 10kg/ raiz quadrada de infinitamente pequeno. (para infinitamente perto da velocidade da luz mas não chegando lá)

      F= C x infinitamente perto de infinitamente grande

      F= infinitamente perto de infinitamente grande (!!!)

      E(energia) = F x deslocamenteo

      E= infinitamente x deslocamento enorme ( 😛 )

      E= etupidiliosamente grande!!!

  15. Bom post, Cavalcanti.

    Dois pequenos comentários sobre ele: 😉

    1 – Quando eu disse “Atire-se do topo de um prédio e já fica sabendo o que é real” foi mesmo na brincadeira :). Não quero que as pessoas pensem que foi a desejar a morte a alguém… 😛
    Foi mesmo de resposta humorada a alguém que vem com histórias de conspirações, de “energias desconhecidas” que só vigaristas conhecem, de dizer que a ciência não sabe nada do que é real.
    E se pensam assim, então que desafiem a gravidade, como explicou Richard Dawkins (este exemplo do prédio, é dele). Se acham que a gravidade não é real, ou que “batidas no chão” não são reais, então que se atirem de um prédio e já percebem que na verdade o que é real é bem conhecido, e é conhecido pela ciência, não pelos vigaristas que só dizem aquilo que as pessoas querem ouvir para as vigarizarem.

    2 – Uma das críticas mais “populares” aos cientistas é que são demasiado “teimosos”, que vêem o que sabem de forma fundamentalista.
    Paradoxalmente, outra das críticas mais “populares” é que a ciência está sempre a mudar de conhecimento.
    Os pseudos nem consistentes são. Dizem uma coisa e o seu contrário.
    Ao contrário dos pseudos, é óbvio que os cientistas não são fundamentalistas. A prova está a toda a nossa volta: toda a tecnologia “mágica” que temos, como telemóveis, computadores, mundos virtuais, etc, que só existem porque os cientistas viram mais além. Toda essa ciência “mágica” foi desenvolvida durante séculos e encontra-se agora a toda a nossa volta:
    http://www.astropt.org/2012/02/18/7-equacoes-que-governam-o-seu-mundo/
    O paradoxo deles ainda é maior porque se enganam nisso e no seu contrário. A ciência também não está sempre a “errar”. Isso é argumento de quem não sabe nem quer saber o que é a ciência.
    http://www.astropt.org/2011/08/23/ciencia-nao-erra/

    abraços

    1. Para alguns pseudos, Carlos, só rezando mesmo… 🙁

      Abraços.

      😉

    2. Ah, esqueci de agradecer. 😉

      Abraços.

  16. Cavalcanti (cont):

    Ainda uma outra questão. O problema dos neutrinos ultrapassarem a velocidade da luz seria o mesmo mesmo que eles não tivessem massa.

    A velocidade da luz é central à relatividade. De tal forma que houve quem tivesse proposto que C poderia não ter sido nunca bem medida para justificar a anomalia. Ou que os neutrinos tivessem atalhado por outra dimensão.

    Quanto a mim ainda estou à espera de ver o resultado da experiencia com o cabo bem ligado, por que custa-me a crer que demorarm tanto tempo a descobrir aquele erro. É motivo para ri se for mesmo isso.

  17. Caro Cavalcanti,

    Diz:

    “para mover um corpo de apenas 10 quilogramas, à velocidade da luz, é necessário uma energia da ordem de 90 x 1016 J. ”

    Mas antes ja tinha dito que não pode haver massa a andar à velocidade da luz. E não pode mesmo porque precisa de energia infinita. Muito mais que o que obtem pela conversão de massa em energia….

    É assim: Se a velocidade a tender para C faz a massa tender para infinito a força necesseçaria para acelerar um corpo cuja massa tende para infinito, tende para infinito também. Quando se diz que nada com massa pode andar à velocidade da luz é porque teoricamente a velocidade C tens massa C e precisas de energia infinita para conseguir acelerar até C.

    E=MC2 não se refere a valores em movimento no espaço -tempo. É uma lei que expressa a equivalencia entre a matéria e a energia para velocidade constante. C aqui é uma constante como o numero de neper ou pi.

    Se a força tende para infinito a energia ((que é a força vs o deslocamento) tende para infinito também.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Equival%C3%AAncia_massa-energia

    1. Olá João,

      Na verdade, está implícito na expressão “(…) à velocidade da luz” como sendo o limite da função desta (Cálculo I). Ou seja, supus que sabemos, de antemão, que a velocidade do corpo tenderá à velocidade da luz – porém, sem nunca atingir o valor absoluto da velocidade da luz no vácuo (3 x 10^8 m/s).

      Verei como consigo expressar melhor esse trecho do artigo. Agradeço a dica. 😉

      Com relação à este trecho:

      “(…) Se a velocidade a tender para C faz a massa tender para infinito a força necesseçaria para acelerar um corpo cuja massa tende para infinito, tende para infinito também”

      Sim. O exemplo que resolvi no artigo se refere à quantidade de energia necessária para provocar uma pequena mudança na velocidade do corpo. Não se refere quando este está à velocidade-limite da luz.

      Por isso que os comentários são enriquecedores. São nada mais, nada menos, que extensões do próprio artigo – e já agora, melhores que este. 😉

      Abraços.

      1. “Na verdade, está implícito na expressão “(…) à velocidade da luz” como sendo o limite da função desta (Cálculo I). Ou seja, supus que sabemos, de antemão, que a velocidade do corpo tenderá à velocidade da luz – porém, sem nunca atingir o valor absoluto da velocidade da luz no vácuo (3 x 10^8 m/s).”

        Isso não resolve o problema. Porque se para a velocidade C é teoricamente infinito, perto da velocidade C, é perto de infinito usando a formula que dá a massa para cada velocidade. O resultado de 90x10e16 é muito longe de infinito. A que velocidade se referirá? Será depressa, mas é na mesma um valor qualquer em relação à velocidade da luz. Podemos fazer as contas mas não vale a pena porque não é essa a questão. Nunca poderia encontrar esse resultado – da massa a velocidade C de 10kg, usando uma formula para a equivalência massa energia para repouso (E= MC2). É a outra formula que deve usar. Por isso é que lhe aparece um valor bastante finito. Aquilo é a quantidade de energia que existe em 10kg de matéria, independentemente da velocidade.

    • Julio C Valdes on 25/02/2012 at 20:31
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  18. excelente artigo, parabéns 🙂

    1. Valeu, meu jovem. 😛

      A bem da verdade, o mérito deve ser do Jonas que deu continuidade ao debate e do Carlos Oliveira – que deu a ideia de reproduzir este em um artigo.

      Abraços.

      😉

        • Jonas on 27/02/2012 at 04:41

        Cavalcanti, menos, menos..

        O mérito é realmente todo seu, ficou supimpa o artigo, o link vai para os meus favoritos.

  19. Excelente artigo…

    Só tenho uma ligeira divergência:
    Existem pessoas e grupos que se comportam exactamente como é descrito no artigo, procurando diminuir e mesmo ridicularizando a ciência, mas não creio que sejam a maioria… pessoalmente acho que o principal problema é a ignorância geral da população. Enquanto os ídolos da juventude forem concorrentes de Big Brothers, ou actores de Novela, ou personagem estilo Paris Hilton, pouco se vai alterar. Recordo que muitos dos actuais Cientistas e Engenheiros foram ‘educados’ numa era onde se ‘sonhava’ com a conquista do espaço, com os carros do futuro, com as casas do futuro, etc, etc, etc… Infelizmente, hoje, entre a maioria dos jovens, a cultura dominante despreza o conhecimento…
    E depois ainda existe outro fenomeno que normalmente deturpa a informação: A Comunicação Social Clássica generalista!!!. O que interessa são grandes ‘caixas’, como por exemplo aconteceu com os Neutrinos. Não interessa se são meras hipoteses ou leis já exprimentadas. O importante é fazer ‘barulho’. Veja-se, agora poucos são aqueles que explicaram o ‘erro’ da experiência com os Neutrinos. Os desmentidos têm sempre muito menos divulgação do que as ‘primeiras páginas’ escandalosas, e aquilo que ‘fica’ na memória da população é a primeira imagem, mesmo se for errada…
    A Internet tem sido um grande instrumento contra esta corrente, mas é preciso chegar ao ‘horário nobre’ das TV’s, às primeiras páginas dos jornais regularmente, e se calhar ainda mais importante, ‘chegar’ aos sonhos das gerações futuras…!!!

    Abraços

    1. Olá,

      Sim, é o efeito dominó: apesar (ainda) da maioria não ridicularizar a ciência, isso está ganhando força devido à tanta desinformação e baboseiras que são repassadas em um espaço criado por especialistas – a internet. Este meio de comunicação, ao mesmo tempo que pode nos trazer benefícios, pode mais ainda prejudicar o conhecimento científico. Faz algum tempo, durante minha consulta médica, tive a curiosidade de perguntar ao médico (e amigo pessoal) como os pacientes estavam se comportando depois da era da informação. O mesmo disse-me que existiam muitos pacientes chegando em seu consultório acreditando saber um problema complexo de antemão – ou pior, achando, em alguns casos, que sabiam mais que os próprios médicos.

      Eu percebi qual era a sua preocupação: não seria com a pesquisa do paciente por conta própria, por exemplo, buscando na ferramenta Google. O cerne do problema estava no paciente, de modo errôneo, acreditar que está com um pequeno problema de saúde, onde pode acreditar que não se faz necessário ir ao médico, quando na verdade pode estar já com uma doença mais grave – porém sem muitos sintomas.

      A internet tornou qualquer habitante desse planeta um potencial formador-de-opinião. Então, quanto à ciência, deve-se ter uma base bastante sólida para não cair em esparrelas científicas. Existe muita gente pesquisando, e pesquisando de maneira errada: descobrem algo que a maioria das pessoas não sabem (por exemplo, a existência da seita Illuminatti, suas ramificações e seus membros influentes) e, a partir do aprofundamento, acreditam que tudo mais é manipulado, dando descrédito à qualquer coisa que funciona ou é o que é. Pesquisam sobre alimentos e descobrem o quanto de porcaria comemos todos os dias. Descobrem que muitos donos de indústrias alimentícias são membros desta seita. Pronto: o que vale para o cenário “A”, “B” e “C”, vale para os cenários “D”, “E”, “F” e assim por diante. Percebes o que quero dizer com isto? 😉 Está formada a teoria da conspiração. E acredite: é cada vez maior o número de pessoas que caem nisso.

      Todavia, a maioria das pessoas (ou manada, como chama os conspirólogos-de-plantão), ainda não possui aquela vontade de sair de frente da televisão – onde a informação é bem mais manipulada intencionalmente. Mas cresce a cada ano o número de pessoas que migram pra internet – espaço mais democrático, porém podendo-se encontrar vigarices de todos os gostos.

      Com relação à problemática dos neutrinos, sim, você tem toda razão: o importante é fazer barulho. Porém, a culpa em alguns casos pode ser nossa. 😉 Já teve caso de cientista renomado sair por aí afirmando que existem escorpiões em Vênus. O motivo pode ter sido marketing, com o objetivo de agaranhar recursos. O que percebo também daqueles que seguem a pseudociência é desejar a mesma mudança que queremos, porém de uma maneira totalmente fantasiosa. Veja o caso de Nibiru: não seria uma maravilha se houvesse, de fato, um planeta que levaria as pessoas ruins pra fazer uma viagem de 3600 anos longe daqui? É evidente que essa ideia é tentadora. Porém, a realidade é bem mais difícil que isso: as mudanças para o bem nesse planeta só dependem de cada um de nós. Acredito que o maior “reino” ou obra de Engenharia ou viagem inesquecível, está em nossa mente e em nosso coração. O que decidimos fazer de bom a cada novo dia.

      É como disse num outro comentário: acredito que a solução dos problemas que estariam fora do nosso alcance não esteja em meteoros, catástrofes em escala global, Nibiru, etc. mas somente e tão somente nas boas ações humanas. Não precisamos de fatores externos para que haja mudança, tampouco desejar que catástrofes levem nossa civilização a adotar um novo tipo de consciência – quando a verdadeira mudança está dentro de cada um de nós: bastasse cada um fazer sua parte.

      Abraços.

        • abidos on 25/02/2012 at 21:32

        É o grande paradoxo das modernas sociedades de informação !!!
        Por exemplo em Portugal, nos últimos 100 anos passámos de uma comunidade com 80% de analfabetos, para uma sociedade com praticamente 100% de escolariedade… e com o acesso fácil à Net e a toda informação relevante… Mas em aparente contradição, as pessoas reagem cada vez mais às ‘Modas’!!! Em vez de estarem mais bem preparadas para ‘filtrar’ a informação, reagem à boa maneira dos ‘Carneiros’…!!! E como actualmente qualquer pessoa pode-se tornar num ‘Goebbles caseiro’, se as pessoas não tiverem sentido critíco, se não souberem questionar a veracidade da informação, mitos como o Fim do Mundo Maia facilmente se espalham…
        Dou um exemplo: trabalho no área do Turismo, nos últimos anos no meu sector um producto tornou-se moda, eu explico aos clientes (de modo científico!!!), que eles estão a ser enganados, que existe uma opção com muito mais qualidade, e com melhor preço, mas mesmo assim são poucos aqueles que confiam nos meus conselhos, quase todos insistem na Moda, à boa maneira dos ‘Carneiros’!!! Não querem ser esclarecidos…!!!
        E na Ciência as reacções são parecidas, provavelmente a solução é criar junto da população em geral, uma cultura ‘pop-ciência’, uma moda, um ‘trend’… creio que o melhor exemplo actual é o Stargazing da BBC, no passado houve o programa Apollo, os Shuttle’s nos 80’s, etc…

        Abraços

      1. E eu achava que era um problema somente no Brasil. Os Governantes dão acessos para que aprendam, mas não dão suporte a educação, a verdadeira educação. Aquela que questiona e pensa por si, sem a manipulação das massas. Infelizmente é o que acontece, mas meu lema é: “Se não podemos com eles, vamos nos juntar.” Então utilizo o meu blog, facebook, twiter e etc. para conscientizar as pessoas a procurarem saber, cada vez mais. Tento fazer as pessoas acreditarem nessa manipulação e começar a pensar por si mesmos. Se temos uma rede e uma globalização, vamos começar a usar a favor da ciência e da informação. Parabéns pelo artigo!

    2. Excelente comentário, Abidos!!! 🙂

      E excelente resposta, Cavalcanti 🙂

      Nos últimos tempos, tenho aprendido praticamente tanto conhecimento ao ler os comentários como ao ler os posts 🙂

      Cheers! Obrigado! 😉

      1. Parabéns pelo artigo e pelo comentário, vou divulgá-lo no meu blog ok 😉

      2. À vontade, Cibele.

        Abraços.

        “A ciência acima de tudo.”

        😉

  20. Excelente artigo, Cavalcanti! Também adoro essa frase do Newton. Uma pequena frase mas diz tudo. 🙂

    1. Obrigado, Sérgio.

      Já agora, eu a considero como a mais bela da ciência. É exatamente como você disse: pequena, mas diz tudo.

      😀

      Abraços.

  21. Excelente post Cavalcanti!!

    1. Obrigado, Bruno. 😉

      Abraço.

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