Nascimento em Mordor

Crédito: ESA/Hubble & NASA; Judy Schmidt

Crédito: ESA/Hubble & NASA; Judy Schmidt

A referência a Mordor foi dada pela própria ESA/NASA no seu artigo, aqui.
Realmente parece o local donde o Mal se vai alastrar… ou então, onde teremos que ir para destruir o precioso anel (Senhor dos Anéis).

Pessoalmente, parece que vejo um feto dentro da barriga da mãe, e que já está grandinho o suficiente para nascer proximamente.
Conseguem ver?

E a verdade está mais próxima desta minha visão…

É que o que se está a ver é uma nuvem, ou melhor, uma gigantesca bolha (blob) de gás, poeira e gelo chamada LDN 43. Estas bolhas são os “casulos” onde as estrelas se formam. Dentro desta bolha está, literalmente, a nascer uma estrela.
A bolha está a colapsar, devido à força da gravidade, agregando cada vez mais gás e poeira, até chegar a um ponto em que a sua massa, pressão nuclear e consequentemente temperatura do núcleo estará tão alta que “a star is born” (uma estrela nasce)… o que é o mesmo que dizer que a temperatura é tão alta para começar com a fusão nuclear.

A estrela que está a nascer já tem nome: RNO 91
E também já sabemos qual vai ser a sua “vida”: terá cerca de metade da massa do Sol, produzirá menos radiação que o nosso Sol e viverá muito mais que o nosso Sol,
Mas para já é “tímida”, por isso ainda está escondida atrás de toda a poeira que a rodeia. Como um feto se esconde, antes da altura do nascimento.
Como sabemos que o nascimento está próximo? Porque “observamos” indirectamente o colapso do gás e poeira, ao detectarmos fortes ondas de rádio e raios-x assim como ventos estelares que são reflectidos na poeira da bolha. Em luz infravermelha (calor), este nascimento também é bem “visível”. Podemos não a conseguir ver em luz visível, mas ela está bem presente noutros comprimentos de onda.
Por “nascimento” entenda-se a sua entrada na “sequência principal”, onde passará a maior parte da sua “vida adulta” a converter hidrogénio em hélio.

Uma estrela está a formar-se a 520 anos-luz de distância da Terra.
Neste momento, é uma proto-estrela que se “alimenta” da energia gravitacional da sua própria contracção.

Curiosamente, os astrónomos ainda conseguem “ver” mais alguma coisa: aparentemente, a proto-estrela tem um disco de poeira e partículas de gelo a rodeá-la, o que prenuncia que se estará a formar também um sistema planetário. Não só existe ali, naquela imagem, uma proto-estrela, mas também proto-planetas (planetas que se estão a formar).

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