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Nov 26

Uma Conspiração Permanente(mente) sem Frutos – Parte II

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Os surtos da gripe e as vacinas: Os Anticorpos

Em 2008 havia em circulação 2 estirpes de vírus da gripe: H3N2, a H7N2 e uma variação pouco virulenta de H1N1 (Leiam aqui), todos os anos havia pequenos surtos devido a um evento chamado drift. Quando um vírus entra no organismo, as células do nosso sistema imunitário tratam de reconhecer as proteínas de superfície viral para a poder pagar e esofagá-la. Quando há uma pequena alteração nas proteínas de superfície as nossas células não o reconhecem com tanta facilidade e são recrutadas mais células e o nosso corpo entra em estado febril. Estas pequenas alterações nos vírus chamam-se de alterações drift e ocorrem por mutação durante a cópia de vírus dentro de uma célula de pessoas que não foram tratadas e os transmitiram. Desta forma, quem não se precavê contra a gripe ou que toma farinhas e água em vez de vacina está apto a gerar um vírus com uma mutação genética e a promover um surto. (leiam aqui)

Os Custos

Agora vamos reflectir sobre os custos de produção de uma vacina pandémica ou epidémica de alto risco pandémico. Para produzir a nova vacina para a gripe H1N1 de 2009 gastou-se recursos financeiros em equipas especializadas, em laboratórios P4 (segurança mais elevada), em análises genotipicas ao vírus, etc. No entanto há quem diga que estas epidemias e pandemias servem para vender. Então:

O que vale a pena vender?

É melhor vender um produto barato, que toda a gente consuma, que o seu consumo seja prolongado por décadas e que não seja necessária grande investigação. Poupa-se, assim,  em investigadores, em laboratórios de alta segurança, em testes, em certificação, em patentes, na criação de embalagens de novo, etc. Este é um dos motivos pelo que uma empresa farmacêutica ganha mais em vender aspirina do que uma nova vacina para a gripe H1N1 ou Ébola. Todas as aspirinas são vendidas mas uma grande parte das vacinas não. Houve, assim, um investimento que não teve retorno.

Vale a pena criar uma pandemia?

Não, não vale a pena. É como atirar pedras ao ar para tratar pessoas com o equipamento que ainda não temos. Há o risco de a pedra cair em cima de mim, o risco do não retorno do investimento, o risco do fracasso do investimento, o risco de outras ideias de outras empresas – falamos da concorrência – e o risco das derrapagens por falhas e dificuldades em produzir o medicamento. Então, e se demorar muito ou não resultar com muitas pessoas, ou, até se, eu e a minha família formos infectados? As teorias da conspiração são muito bonitas mas falham em todas estas variáveis. Um sinal de conspiração é quando há uma teoria que pega num evento que já ocorreu para construir uma estória com base em outros eventos não relacionados.

Os produtos naturais e homeopáticos são caros porquê?

Não têm certificação nem são acreditados. Não têm equipas com elevada especialização. Como são produtos naturais, não têm equipamentos de síntese, transformação, etc. Então porque são tão caros? Ninguém pensa nisso? Afinal quem quer ganhar dinheiro e manipular pessoas, heim?

Acerca do autor(a)

Dário S. Cardina Codinha

Frequentou o Mestrado Integrado em Engenharia Biológica na Universidade do Algarve e o curso de Biologia Celular e Molecular na Universidade Nova de Lisboa. Presidiu ao Núcleo de Engenharia Biológica da Universidade do Algarve.

Manteve o blog Universo Paralelo que está a dormir desde 2010. Apaixonado pela escrita criativa, sátira e humor.

Luta constantemente contra ideias falaciosas e teorias erradas. A realidade é explicada por um mecanismo chamado ciência e ela merece ser respeitada e seguida.

Desde os 11 anos que lê notícias sobre o Universo e recebeu, aos 13 o livro Cosmos, de Carl Sagan, que devorou. A partir daí coleccionou artigos e livros científicos. Gosta de divulgar ciência da vida (área académica) e ciência espacial (área de paixão). De vez em quando "saca" algumas sebentas para se manter actualizado.

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