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Dez 19

Missão espacial Kepler continua a detetar planetas na sua segunda vida

Imagem artística da super-terra HIP 116454 b. (Crédito: Harvard-Smithsonian CfA)

Imagem artística da super-terra HIP 116454 b. (Crédito: Harvard-Smithsonian CfA)

A descoberta da “super terra” HIP 116454 b é a primeira da missão estendida K2, e inclui Pedro Figueira do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

Depois de ter terminado a sua missão principal, devido a uma avaria em maio de 2013, a missão espacial Kepler (NASA) ganha agora uma nova vida. A extensão da missão, denominada K2, acabou de provar a sua importância ao detetar o planeta HIP 116454 b, com cerca de 2,5 vezes o tamanho da Terra, através do método dos trânsitos. Os resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Para garantir a fiabilidade dos dados da K2, outros instrumentos foram usados para repetir a deteção. O satélite canadiano MOST confirmou o trânsito observado pelo Kepler, enquanto o espectrógrafo HARPS-N (Telescopio Nazionale Galileo, Ilhas Canárias), com o método das velocidades radiais, confirmou a natureza planetária do HIP 116454 b, revelando ainda que a sua massa é quase 12 vezes superior à da Terra, o que o coloca na categoria das “super-terras”.

Para Pedro Figueira (IA e Universidade do Porto): “Este é um importante resultado pois mostra que o satélite Kepler, através da missão K2, continua a poder fazer ciência do mais alto nível. É também mais um planeta rochoso a juntar-se à lista, mas bem maior e mais massivo que a Terra.”

A missão principal do Kepler exigia a medição muito precisa das variações do brilho das estrelas observadas. Para alcançar este tipo de precisão, o satélite tinha de se manter perfeitamente apontado para as estrelas a observar. No entanto, essa precisão deixou de ser possível em maio do ano passado, quando a segunda das quatro reaction wheels avariou.

A missão estendida K2 só foi possível graças à criatividade da equipa. Esta implica que o satélite seja apontado ao longo da linha da eclíptica (a projeção do plano do Sistema Solar no nosso céu), usando a pressão de radiação da nossa estrela para compensar uma das reaction wheels. Apesar de a precisão ser menor do que antes, é ainda possível caracterizar estrelas brilhantes próximas, e detetar planetas na gama das “super-terras”, que não existem no nosso Sistema Solar.

A estrela HIP 116454 encontra-se a 180 anos-luz de distância, na direção da constelação Peixes. Com 0,77 vezes o diâmetro do Sol e cerca de 5400º C à superfície, esta estrela anã laranja é ligeiramente mais pequena e menos quente que o nosso Sol. O planeta demora apenas 9,1 dias a orbitar a sua estrela, a uma distância de menos de 14 milhões de quilómetros, ou seja, 4,25 vezes mais perto que Mercúrio está do Sol.

Acerca do autor(a)

Centro de Astrofísica da Universidade do Porto

O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) é uma associação científica e técnica privada, sem fins lucrativos e reconhecida de utilidade pública. É a instituição de acolhimento do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço - a maior unidade de investigação nacional em Astronomia, e gere o Planetário do Porto - Centro Ciência Viva. Inscreve entre os seus objectivos estatutários apoiar e promover a Astronomia, através de: investigação científica, formação ao nível pós-graduado e universitário, ensino da Astronomia ao nível não universitário, divulgação da ciência e promoção da cultura científica.

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