Terceiro Maior Planeta Anão Vai Ter um Nome

O planeta anão “2007 OR10” foi descoberto em 2007 pelos astrónomos Meg Schwamb, Mike Brown (o que “matou” Plutão) e David Rabinowitz, no âmbito de um censo de objectos da Cintura de Edgeworth-Kuiper levado a cabo com o telescópio Samuel Oschin, no Observatório do Monte Palomar, nos Estados Unidos. Para além da órbita, uma estimativa do tamanho e algumas características espectrais, pouco mais se sabia sobre este corpo misterioso e longínquo. Em parte por este motivo, não recebeu um nome oficial pela UAI, que teria de ser o de uma divindade associada com a criação na mitologia de alguma cultura ancestral.

Agora, uma equipa de astrónomos liderada por András Pál, do Observatório de Konkoly, em Budapeste, na Hungria, juntou observações realizadas com os telescópios Kepler, da NASA, e Herschel, da ESA, para determinar com precisão o seu diâmetro em 1535 quilómetros, o terceiro maior conhecido, atrás apenas de Plutão e Eris. Os dados recolhidos permitem também deduzir o seu longo período de rotação de 45 horas e a existência de uma superfície escura, pouco reflectora, diferente da maioria dos outros objectos da mesma classe. O maior tamanho sugere também uma maior massa, capaz de segurar na superfície gelos de metano, monóxido de carbono e nitrogénio que expostos à radiação ultravioleta do Sol e aos raios cósmicos dão origem a compostos orgânicos complexos, de cor avermelhada, designados por tolinas. De facto, a cor avermelhada do “2007 OR10” tinha já sido notada por outros investigadores que analisaram o seu espectro e cores.

Crédito: Konkoly Observatory/András Pál, Hungarian Astronomical Association/Iván Éder, NASA/JHUAPL/SwRI.

Crédito: Konkoly Observatory/András Pál, Hungarian Astronomical Association/Iván Éder, NASA/JHUAPL/SwRI.

O “2007 OR10” encontra-se actualmente a uma distância que é o dobro da de Plutão. Os telescópios existentes não conseguem resolver o seu disco e determinar o seu tamanho directamente. Veem-no apenas como um ponto de luz. No entanto, conhecida a distância de um planeta, e portanto a quantidade de radiação solar que o atinge, o seu brilho depende essencialmente de dois factores: o seu albedo e o seu tamanho. O albedo é a fracção de luz que incide no planeta e que é reflectida, contribuindo para o seu brilho. Tem um valor entre zero (um corpo que não reflecte nenhuma luz) e um (um corpo que reflecte toda a luz que nele incide). O tamanho do planeta influencia o seu brilho pois quanto maior for, maior será a superfície potencialmente reflectora. Um objecto com um determinado brilho pode ser grande com um albedo baixo ou pequeno com um albedo elevado.

Os astrónomos conseguiram resolver esta equação com duas incógnitas observando o “2007 OR10” em duas regiões diferentes do espectro electromagnético, com o telescópio Kepler (em luz visível) e o telescópio Herschel (no infravermelho). O Kepler mediu a quantidade de luz solar reflectida; o Herschel, a quantidade de luz absorvida e depois re-emitida sob a forma de radiação infravermelha. Estas medidas complementares permitiram aos astrónomos estimar o real tamanho do objecto nos 1535 quilómetros referidos, colocando-o em 3º lugar entre os planetas anões conhecidos.

O artigo com a descrição desta descoberta foi publicado no Astronomical Journal.

(Fonte: NASA)

2 comentários

    • Reinaldo da Silva on 28/12/2016 at 05:56
    • Responder

    Professor a UNIÃO Astronomica definiu a data de nomeação deste corpo?

    • Reinaldo da Silva on 18/08/2016 at 07:00
    • Responder

    Professor esta dupla de telescópios poderiam ser utilizadas para determinar o tamanho de outros planetas anões, ou mesmo possíveis planetas anões uma vez que eles fizeram medições com precisão deste pequeno objeto tão longínquo e tão escuro de nosso sistema solar?

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