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Jul 22

Hubble estuda pela primeira vez atmosfera de exoplanetas do tamanho da Terra

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Em Maio de 2016, uma notícia vinda do ESO dizia que um novo projeto chamado TRAPPIST havia descoberto 3 exoplanetas ao redor de uma estrela localizada a cerca de 40 anos-luz de distância da Terra.
Certos meios até deram a notícia de maneira sensacionalista, dizendo que esses exoplanetas poderiam abrigar vida.

Agora, o Telescópio Espacial Hubble foi usado para pesquisar os exoplanetas conhecidos como TRAPPIST-1b e TRAPPIST-1c. O objetivo principal é de pesquisar a atmosfera dos exoplanetas. Os resultados iniciais foram excelentes para quem quer encontrar vida em outro lugar do universo.

O Hubble não encontrou um envelope de hidrogênio e hélio ao redor dos planetas, o que aumenta muito a chance de habitabilidade dos exoplanetas. Lembre-se: um envelope de hidrogênio e hélio faria com que os exoplanetas experimentasse um grande efeito estufa, o que diminuiria muito a chance de ter vida.

Os astrônomos usaram a Wide Field Camera 3 do Hubble para através da espectroscopia, decodificar a luz e revelar assim a química da atmosfera dos exoplanetas.

Embora não se tenha ainda a resolução necessária para uma definição completa e detalhada da atmosfera, o facto de terem identificado uma baixa concentração de hidrogênio e hélio animou muito os cientistas em relação à habitabilidade dos exoplanetas.

Os planetas orbitam uma jovem estrela, anã vermelha, com 500 milhões de anos de vida, na direção da constelação de Aquário.
O TRAPPIST-1b completa uma órbita ao redor da estrela a cada 1.5 dias e o TRAPPIST -1c completa uma órbita a cada 2.4 dias.
Os planetas estão entre 20 e 100 vezes mais próximos da estrela do que a Terra está do Sol, mas pelo fato da estrela ser muito mais apagada que o Sol, isso coloca os planetas na zona habitável da estrela, ou seja, onde a água pode existir em estado líquido na superfície deles.

Obviamente a pesquisa não acabou. Os pesquisadores esperam usar o Hubble para realizar uma observação mais precisa da atmosfera mais fina, composta de elementos mais pesados que o hidrogênio, como as atmosferas da Terra e Vênus.

Com mais dados talvez eles possam achar assinaturas de metano ou de água na atmosfera, o que ajudaria na estimativa da profundidade da atmosfera.

Mas claro que um trabalho mais completo só acontecerá mesmo com o Telescópio Espacial James Webb. Ele sim será capaz de buscar até mesmo por bioassinaturas na atmosfera, além de determinar a composição completa dela. O James Webb será também capaz de analisar a temperatura e a pressão na superfície dos planetas, parâmetros cruciais para o desenvolvimento da vida como a conhecemos.

Esses planetas fazem parte do projeto SPECULOOS, que procura por planetas do tamanho da Terra em estrelas anãs vermelhas próximas do nosso planeta. A ideia é que esse projeto pesquise cerca de 1000 estrelas. Até agora somente 15 foram estudadas.

Assim, o Hubble tem um papel crucial, pois ele poderá ir selecionando exoplanetas, que depois serão estudados em detalhe pelo James Webb e pelos outros grandes telescópios. Trabalhos como esse só fazem a ansiedade pelos novos telescópios aumentar significativamente.

Fontes: Hubblesite, Artigo Científico

Acerca do autor(a)

Sérgio Sancevero

Formado em Geofísica pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia do Petróleo pela Universidade de Campinas (UNICAMP), e Doutor em Geociências também pela Universidade de Campinas (UNICAMP).
Divulgador de Astronomia no SpaceToday.

6 comentários

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  1. Marconni

    Professor, como seriam as cores e a visão em um planeta como estes, em órbita de uma anã vermelha?

    1. Carlos Oliveira

      Os potenciais seres complexos, se tiverem visão, provavelmente utilizam o comprimento de onda do infravermelho (calor).
      Como no filme Predator 😉

      http://www.astropt.org/2014/06/03/planetas-em-orbita-de-anas-vermelhas-podem-ter-condicoes-nefastas-para-a-vida/

      As plantas, a existirem, poderão ser negras…
      http://www.astropt.org/2011/04/29/plantas-negras/

      abraços

      1. Arnaldo

        Eu já discordo que as folhas seriam negras.

        Se folhas negras teriam melhor eficiência, teríamos elas por aqui também.
        As plantas poderiam ter folhas menores e mais eficientes.
        Sobraria recursos para um caule maior e mais raízes.

        Existem algumas plantas com folhas escuras no nosso planeta, mas elas não são muito eficientes e a eficiência delas é relacionada as partes verdes que existem mas quase não se vê.

  2. Reinaldo da Silva

    Professor já imaginou como seria estranho ter um ano em apenas um ou dois dias?

    Mais uma conquista do Hubble, este telescópio que tanto contribui para a ciência.

    1. Carlos Oliveira

      Seria muito estranho para nós… 😉

      Mas supondo que existe “eles” por lá, para eles também seria muito estranho pensarem em anos de 365 dias 😉

      abraços! 🙂

  3. Antonio Figueiroa

    Experiência semelhante é ter vários dias e noites, num dia/noite bem terráqueo. Tal será a experiência durante meses de qualquer astronauta (cosmanauta) da estação espacial.
    Cumprimentos
    António

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