Google+

«

»

Dez 09

Como os Pulsares mudaram a Astronomia

Crédito: ESA / ATG Medialab

A ideia de se procurar vida no universo além da Terra não é de hoje, e desde sempre, quando se pensou em procurar vida no universo, sempre se pensou em procurar uma vida parecida com a Terra.

Uma das primeiras ideias foi: vamos procurar por transmissões, por emissões de rádio, como aquelas que são criadas na Terra.

Assim, em 1967, mais precisamente no dia 28 de Novembro de 1967, Jocelyn Bell Burnell e Antony Hewish descobriram uma fonte de rádio emitindo pulsos regulares a cada exatamente 1.3373 segundos, e com um comprimento de 0.04 segundos.

Devido à potência e à regularidade dos sinais, era óbvio que era emitido por uma civilização inteligente, e por esse motivo, o sinal de rádio foi chamado de LGM-1. LGM significa Little Green Men, ou seja, Pequenos Homens Verdes.

Como na época não existia nenhuma explicação natural para o fenômeno, logicamente que só poderiam ser seres alienígenas.
Mesmo depois de um pequeno processamento, tirando alguns ruídos, a explicação alienígena ainda continuava a ser a mais aceite.

Porém, o sinal não tinha nada a ver com uma civilização alienígena, mas era um objeto recém descoberto chamado pulsar.
Por isso, o LGM-1 foi renomeado para B1919+21, e tornou-se o primeiro pulsar descoberto.

O que é um pulsar?

Um pulsar é um tipo de estrela de nêutrons, a relíquia mortal de uma estrela massiva. O que difere o pulsar das estrelas de nêutrons é que eles são altamente magnetizados.

Um pulsar se forma quando uma estrela com massa entre 4 e 8 vezes a massa do Sol morre, e é detonada como uma supernova. As suas camadas externas são expelidas e o núcleo interno se contrai com a sua gravidade.
A pressão gravitacional é tão forte que ela supera a força necessária para manter os átomos afastados. Assim, os elétrons e prótons são esmagados pela gravidade, formando nêutrons.
A estrela de nêutrons formada retém a maior parte do momento angular, e como ela só tem o tamanho equivalente a uma pequena fração da estrela progenitora, ela é formada com uma velocidade de rotação muito rápida.

Um feixe de radiação então é emitido ao longo do seu eixo magnético, e a rotação desse feixe de radiação, que é observado a cada instante que ele é apontado na direção do observador, dá origem à natureza pulsante do objeto.

Obviamente que existem muitas derivações, muitos tipos de pulsares e muitos detalhes de que não falaremos agora.

Para finalizar, alguns detalhes interessantes sobre os pulsares:

1 – Foram confundidos com civilizações extraterrestres no início;

2 – Representam o final da vida de uma estrela massiva;

3 – Em sistemas binários, chegam a ficar invisíveis e visíveis novamente;

4 – A colisão deles pode gerar ondas gravitacionais;

5 – São considerados os relógios mais precisos do universo: podem manter uma precisão de 10^-15 segundos por décadas.

Fonte: Universe Today, Forbes, Wikipedia

Acerca do autor(a)

Sérgio Sancevero

Formado em Geofísica pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia do Petróleo pela Universidade de Campinas (UNICAMP), e Doutor em Geociências também pela Universidade de Campinas (UNICAMP).
Divulgador de Astronomia no SpaceToday.

4 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

  1. Jorge

    Qual a diferença entre pulsares e Magnetares?

  2. Xevious

    Mais algumas características dos pulsares, que são estrelas de nêutrons.

    6 – recentemente se descobriu que nas bordas dele ocorrem altas incidências de formação de partículas a partir do vácuo.

    7 – Alguns giram de forma incrivelmente rápida e chegam a ter uma velocidade próxima a da luz, na sua superfície.

    8 – São perfeitamente redondos.

  3. LSN

    O eixo de rotação coincide com o magnético?
    E sobre o comprimento de onda? 0,04 segundos.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>