Descoberto um novo asteroide troiano de Urano

O planeta Urano visto pela sonda Voyager 2, a 14 de janeiro de 1986.
Crédito: NASA/JPL/Björn Jónsson.

Cientistas espanhóis detetaram um segundo asteroide troiano de Urano. O novo objeto recebeu a designação provisória de 2014 YX49 e encontra-se numa órbita muito inclinada, com um período de libração de pouco mais de 5 mil anos em redor do ponto lagrangiano L4 do sistema Sol-Urano.

Os asteroides troianos são objetos co-orbitais, que residem em regiões de estabilidade gravitacional localizadas 60º à frente ou atrás do respectivo planeta (os pontos de Lagrange L4 e L5). Júpiter e Neptuno possuem numerosos asteroides troianos, muitos dos quais em órbitas estáveis há milhares de milhões de anos.

Os pontos langragianos de Saturno e Urano são gravitacionalmente mais instáveis devido à proximidade dos planetas gigantes vizinhos em ambos os lados das suas órbitas, pelo que aparentemente não conseguem acumular tantos asteroides troianos como Júpiter e Neptuno. Isto explica o facto de não terem sido detetados ainda asteroides co-orbitais na órbita de Saturno, e conhecer-se, até agora, apenas um objeto troiano de Urano – o asteroide 2011 QF99.

O novo objeto é mais brilhante que 2011 QF99, contudo o seu tamanho exato depende da quantidade de luz refletida pela sua superfície. Dados preliminares sugerem que 2014 YX49 deverá ter um diâmetro entre 40 e 120 km (assumindo um albedo entre 0,50 e 0,05).

A sua descoberta parece indicar que estes objetos são, afinal, mais comuns do que se pensava. Simulações da evolução da sua órbita sugerem que, tal como 2011 QF99, este novo asteroide era anteriormente um centauro, um objeto gelado que cruza as órbitas dos planetas gigantes.

Há cerca de 60 mil anos, perturbações gravitacionais arremessaram-no em direção ao ponto L4 do sistema Sol-Urano, local onde permaneceu aprisionado até hoje. Esta configuração deverá ser mantida por mais 80 mil anos, altura em que 2014 YX49 regressará a uma trajetória típica de um centauro.

Podem encontrar mais detalhes sobre esta descoberta aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.