Iceball: o menor exoplaneta já detectado por microlente gravitacional

Crédito: NASA / JPL-Caltech

Quando se fala em exoplanetas, os cientistas não estão apenas procurando planetas parecidos com a Terra e que possam abrigar vida.
O interessante é entender a grande variedade de exoplanetas que podem existir no universo.

Além dos diferentes tipos de exoplanetas, existem diferentes técnicas para se descobrir um exoplaneta, sendo que a técnica do trânsito será talvez a mais famosa graças ao Kepler e à imensa quantidade de exoplanetas que ele descobriu.

Assim sendo, os cientistas querem entender os tipos de exoplanetas existentes e as técnicas que podem ser aplicadas, e talvez definir qual seja a melhor técnica para um determinado tipo de exoplaneta.

Uma coisa que os astrônomos querem entender é a distribuição dos exoplanetas.
Existem hipóteses que dizem que a presença de planetas é menos comum na direção do centro da galáxia, e que os planetas estariam mais concentrados no disco.

Para tentar comprovar ou negar isso, é preciso descobrir a maior quantidade possível de exoplanetas, com maiores intervalos de distâncias, ou seja, planetas próximos e também os mais distantes.

Para planetas relativamente próximos, a técnica do trânsito funciona bem. Porém, para distâncias maiores, é preciso usar outras técnicas; provavelmente a mais indicada é a chamada microlente gravitacional.

Basicamente essa técnica funciona assim: quando uma estrela em primeiro plano cruza precisamente à frente de uma estrela de fundo, a gravidade da estrela de primeiro plano, faz com que a luz da estrela de fundo seja focada e ela apareça maior. Se a estrela em primeiro plano tem um planeta na sua órbita, a sua presença cria um ligeiro aumento adicional no brilho da estrela de fundo. Esse aumento de brilho dura poucas horas.

Essa técnica foi usada para descobrir os exoplanetas mais distantes da Terra, e aqueles mais distantes de suas estrelas.

Essa técnica é tão importante que existe um projeto específico para ela, chamado de OGLE, sigla para Experimento Óptico de Lente Gravitacional, que é um projeto que descobre exoplanetas.

Recentemente um grupo de pesquisadores descobriu um novo exoplaneta, apelidado de OGLE-2016-BLG-1195Lb.
Esse planeta foi descoberto usando telescópios ópticos na Terra, e o telescópio espacial infravermelho Spitzer.

Esse exoplaneta tem aproximadamente a mesma massa da Terra, e orbita a sua estrela a uma distância equivalente à distância da Terra ao Sol, mas as semelhanças param por aí.

O exoplaneta está a 13 mil anos-luz de distância da Terra e orbita uma estrela tão pequena que os cientistas têm até dúvidas de que ela seja uma estrela. Pode ser uma anã marrom/castanha ou uma estrela anã ultra fria como a TRAPPIST-1. Essa estrela tem somente 7.8% da massa do Sol.

Se vocês lembram do sistema TRAPPIST, todos os planetas cabiam na distância equivalente à órbita de Mercúrio ao redor do Sol.
Esse planeta recém-descoberto está muito mais longe, o que faz com que ele deva ser um mundo extremamente frio, provavelmente mais frio que Plutão.

Esse planeta bateu um recorde: é o menor já observado com a técnica da microlente gravitacional e provavelmente ele é o limite – não será possível observar planetas menores que esse com a tecnologia atual.

Os astrônomos esperam agora pelo WFIRST, um telescópio espacial muito mais sensível que deve ser lançado em meados da década de 2020, para que eles possam romper esse limite e estimar da melhor forma possível a distribuição dos planetas na galáxia.

Fontes: Spitzer, Artigo Científico

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