Não-vacinada sem direito a transplante

Leilani Lutali é uma mulher de 56 anos que vive no Colorado, EUA.

Leilani decidiu não se vacinar, rejeitando assim o que a ciência médica recomenda.
Segundo ela, a vacina tem demasiadas variáveis desconhecidas, por isso ela recusa-se a tomá-la.

A questão é que ela precisa desesperadamente de um transplante de rim para conseguir sobreviver.

O hospital afirmou que ela deixará de estar na lista de espera dos transplantes de rim, caso dentro de 1 mês não tenha começado o processo de vacinação (com uma dose de vacina tomada).

O hospital defende a sua decisão argumentando que: o transplante de um órgão é uma cirurgia com muitos riscos, até porque é preciso diminuir ao máximo o risco do corpo rejeitar o novo órgão. Além do curto prazo, é necessário avaliar as condições de saúde do paciente para o longo prazo. Daí que, para todos os pacientes a precisar de um transplante, são exigidas certas condições de saúde além de uma série de vacinas.

Segundo o hospital, os estudos mostram que doentes com órgãos transplantados que ficam infetados com COVID-19 têm uma taxa de mortalidade de mais de 20%!

Assim, a escolha é de Leilani.
Leilani precisa de compreender que as variáveis existentes num transplante são muitas mais do que numa toma de vacina. Se ela aceita as variáveis no caso de um transplante, então no caso das vacinas devia ser fácil também as aceitar.
Por fim, Leilani tem que decidir se confia na ciência médica ou não. Se confia, então pode tomar a vacina. Se não confia, então também não devia aceitar o transplante.

8 comentários

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    • Sara Mergulhão on 12/10/2021 at 01:11
    • Responder

    Parece impossível, discordo em absoluto.

    1. Sara,

      Eu entendo que esta situação é eticamente discutível.

      Mas deixo-lhe 3 pontos para reflexão:

      Nos EUA previligia-se a responsabilidade individual.
      A pessoa é livre, por exemplo, de não ter seguro de saúde. Mas se escolher não o ter, sujeita-se a ficar muito doente e a morrer sem assistência condigna.
      Da mesma forma que a pessoa pode não usar um cinto de segurança quando conduz. Ninguém a obriga a isso. Mas se apanhar a polícia, apanha multa. E se tiver um acidente grave, até pode morrer.
      Ou seja, são escolhas pessoais, que têm consequências.

      Os procedimentos médicos, sobretudo complexos, têm determinadas regras, de modo a que tenham o melhor resultado.
      Até por vezes exames simples têm regras simples. Exemplo: fazer o exame em jejum.
      A pessoa pode não seguir as regras. Mas sujeita-se a que os exames não sirvam para nada. Ou seja, tirou o lugar a outras pessoas, fazendo perder tempo, dinheiro, e recursos hospitalares, para nada. (quando esses recursos podiam ser usados noutra pessoa).
      No caso dos transplantes, existem várias regras, de modo a ter um melhor resultado. A vacinação é uma delas.

      Imagine agora que a Sara tem o seu pai, mãe, irmão, filho – alguém da família próxima – a precisar de um transplante rapidamente,.
      Infelizmente, esse familiar está na lista de espera, precisamente atrás da Leilani.
      O seu familiar faz tudo direitinho, cumpre todas as regras pré-transplante de modo a ter uma probabilidade maior de o transplante correr bem. Vamos supôr que fazendo tudo direitinho, a probabilidade de o seu familiar poder levar uma vida mais ou menos normal era de 80%.
      Vamos supôr que não cumprindo as regras médicas pré-transplante, isso dá uma probabilidade de ter sucesso de 5%.
      Como a Leilani está na lista antes do seu familiar próximo, então quando existe um órgão livre, ela é que fica com o rim.
      Mas como a probabilidade de ela ficar bem (sem cumprir as regras) era baixa, ela morre passados uns dias.
      Já o seu familiar, devido à escassez de órgãos, não consegue um rim a tempo, e nesse entretanto, morre.

      Ou seja, um bem escasso (rim para transplante) foi utilizado numa pessoa com baixa probabilidade de sobreviver (devido às suas escolhas anti-medicina).
      Devido a isso morreram 2 pessoas.

      Se o rim fosse utilizado no seu familiar, que fez tudo direitinho o que a medicina lhe disse para fazer em caso de transplante, então nesta altura o seu familiar estava vivo.

      Se este exemplo concreto fosse real, não acharia injusto estarem duas pessoas mortas, quando poderia uma pessoa ter-se salvado?
      Não estaria furiosa com os médicos por terem “permitido” o seu familiar morrer, ao doarem o rim a uma pessoa que claramente não queria seguir os conselhos médicos e por isso não iria sobreviver?

      abraços!

        • Sara Mergulhão on 12/10/2021 at 17:08

        Como pode apanhar multa se não há legislação que obrigue a usar cinto? Nos USA tudo é negócio até a saúde, quem tem dinheiro pode tratar-se quem não tem morra para aí à vontade. Para mim, continua a ser incompreensível.

      1. Quanto à mentalidade americana, é da responsabilidade individual.

        Podemos discutir realmente o facto dos mais pobres (ou desempregados) não terem dinheiro para seguros de saúde.

        Mas se pensarmos em duas pessoas somente, com o mesmo rendimento:
        vamos supôr que eu e a Sara vivíamos nos EUA e ganhávamos bastante mal. Por exemplo, ganhávamos 2000 dólares por mês cada um.
        A Sara faz um seguro de saúde. Custa-lhe todos os meses 100 dólares. São 100 dólares a menos para si e para a sua família, todos os meses. Ao fim do ano são 1200 dólares que a Sara investe no seguro de saúde.
        Eu decido não fazer. Mas quero ir a um hospital. Como não tenho seguro de saúde, quem vai pagar? Ou pago eu do meu bolso (que não tenho), e fico assim com uma dívida de milhares de dólares por pequenas coisas que fiz no hospital, que provavelmente nunca vou pagar… ou qual é a alternativa? O Estado pagar (com programas de apoio a pessoas com pouco rendimento)… mas quando o Estado paga, são os contribuintes que pagam. Ou seja, seria a Sara a pagar-me.

        Assim, a Sara, responsável, paga o seu seguro de saúde, ficando com menos dinheiro.
        Eu, irresponsável, decido não fazer o seguro e fico com todo o meu dinheiro mensalmente.

        Mas quando preciso ir ao hospital, a responsabilidade do pagamento das minhas contas, passa a ser da Sara?

        Note que não estou a dar minha opinião, não estou a fazer julgamentos sobre se esta forma é correta ou incorreta.
        Estou simplesmente a dizer que são duas formas de ver as coisas: na Europa as pessoas dependem bastante do chamado estado social, nos EUA previligia-se a responsabilidade individual e as pessoas sofrem as consequências das suas escolhas (seja na saúde, na justiça, no trabalho, etc).

        abraços

        • Sara Mergulhão on 13/10/2021 at 01:25

        Já vi que há um mal-entendido. Na sua 1ª msg o Carlos está a falar dos USA e a dizer que lá se privilegia a responsabilidade individual e logo a seguir diz que uma pessoa pode não usar um cinto de segurança quando conduz porque ninguém a obriga e eu imediatamente raciocinei que nos USA não havia legislação nenhuma acerca dos cintos de segurança. Se há legislação então há algo ou alguém (legisladores) que obriga.

      2. Sara,

        Há sempre uma escolha pessoal. A pessoa não é obrigada a usar. Simplesmente há legislação que diz que se a pessoa não usar e fôr apanhada, terá consequências.

        Ainda ontem, as notícias mostravam que um jogador da NBA, Kyrie Irving, não quis ser vacinado.
        As regras são: têm que ser vacinados.
        Ele não quis ser.

        Sean Marks, o diretor da equipa disse: “Kyrie fez uma escolha pessoal e respeitamos o seu direito individual.”
        Mas, claro, segundo as regras, afastou-o da equipa. Ele não joga, não treina, nem recebe. Está suspenso.

        Mas lá está, ele não foi obrigado a vacinar-se.
        Foi respeitada a escolha dele. Mas as escolhas têm consequências.

        abraço

        P.S.: não lhe pude aprovar a outra mensagem. Penso que era muito violenta contra um outro comentador. Não havia necessidade…

    • Jonathan Malavolta on 10/10/2021 at 19:38
    • Responder

    Imagino ela dentro de um hospital, implorando pelo transplante e ouvindo a resposta (sensata e bem-dada):
    “Nós, como médicos, temos um juramento a zelar: lutar pela vida das pessoas. Se você não toma as devidas vacinas, então não pode passar por nenhuma cirurgia delicada, de risco, pois estará fadada a morrer nas mãos do cirurgião.”

    Conclusão: Ou ela toma a vacina, recebe o transplante e fica viva para contar a história aos netos, ou não toma a vacina (arriscando-se a morrer só pela falta das vacinas) e fica sem transplante (uma vez que essa cirurgia, sem vacinação prévia, tem um alto risco de resultar em morte durante a cirurgia).

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