Papa diz que Deus criou o Universo no Big Bang

Pope Benedict XVI waves as he delivers Urbi et Orbi Christmas Day message at the Vatican

Depois de Stephen Hawking ter dito que não precisava de Deus para explicar a criação do Universo (podem ler este post e este post), agora chegou a vez do Papa vir dizer que Deus é o responsável pelo Big Bang.
Podem ler em português, aqui e aqui, e em inglês, aqui, aqui, e aqui.

Pessoalmente, penso que nem um nem outro podem fazer afirmações sobre o que se passou no Big Bang.
É estarem a inventar…

De qualquer modo, percebo o Hawking.
Hawking não negou Deus. Simplesmente limitou-se a afirmar o óbvio tendo em conta a evolução da Humanidade. Dantes pensava-se que o Sol era um Deus, que a chuva era feita por deuses, que a trovoada era feita por deuses, etc. À medida que a ciência e o conhecimento progridem, vai-se percebendo melhor esses “mistérios” e Deus deixa de ser necessário para explicar esses fenómenos.
Por outro lado, Hawking fez essas “declarações bombásticas” somente por motivos de marketing. Assim, teve direito a notícias na TV, a programas na TV, a discussão sobre o livro dele, etc. Foi publicidade grátis.

Também percebo a posição do Papa. Compreendo perfeitamente porque ele o disse, e que essa é a sua fé.
No entanto, ele poderia simplesmente ter dito isso (Deus criou o Big Bang), porque é a sua fé. Quando “justificou” essa fé, com o que ele assume serem características da ciência, então errou.
As suas declarações denotam que não percebe como o mundo funciona, porque não entende a natureza da ciência.
Por exemplo, ele diz: “algumas teorias científicas são mentalmente limitadoras porque chegam apenas até certo ponto (…) e não conseguem explicar a realidade última (…)”. Mas por isso, é que se chama ciência. Este é o processo científico – melhorar sempre. Não é um processo limitador; pelo contrário, é um processo que permite a evolução do conhecimento.
O Papa também criticou a ciência dizendo que “as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do universo e dos seres humanos (…) deixam questões sem resposta”. Mas a ciência não é fundamentalista como a religião. A ciência e o conhecimento evoluem. As respostas, levam a mais perguntas, e continua-se a descobrir mais e mais.
Enquanto a religião e a pseudociência inventam nomes para a ignorância que demonstram, a ciência tenta compreender e explicar os fenómenos. Esta não é uma limitação da natureza da ciência; pelo contrário, é uma característica vital para se evoluir no conhecimento; por exemplo, para sabermos como funciona a gravidade, e para podermos ter computadores.

Além disso, quem afirma o extraordinário é que tem que mostrar evidências extraordinárias.
Assim, chame-se Deus, Teoria das Cordas, Monstro de Esparguete Voador, Braco cura pelo olhar, pulseiras quânticas, ou o Pai Natal, quem afirma que isso existe no tempo em causa, é que tem que o provar.
Sendo assim, neste caso, o ónus da prova está do lado do Papa.

Por último, penso ser um completo paradoxo afirmar que Deus criou o Universo, e o mesmo Deus andar preocupado com o que se passa num minúsculo (“invisível”) pedaço de pó existente num Universo gigantesco…

Mars_to_Earth

(esta é a imagem da Terra vista de um planeta, Marte, bastante perto de nós. Mesmo de perto, a Terra é um minúsculo pedaço de pó. Visto de outras estrelas, a Terra nem se vê. Um ser criador de todo o Universo não passaria o tempo preocupado com esta insignificante partícula; teria todo o Universo para se deliciar. A ideia de um ser criador do Universo andar preocupado com o que fazem primos de gorilas numa insignificante partícula no universo, andar a contabilizar quantas vezes digo asneiras, e a escutar as minhas rezas para marcar mais um golo num jogo de futebol, é de um narcisismo avassalador da parte da Humanidade. Isto demonstra que o geocentrismo psicológico persiste na mente de muitas pessoas)

48 comentários

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  1. 1 – Eu olho para as evidências objetivas. Deus tem tantas evidências como o Pai Natal ou Unicórnios Voadores Invisíveis. Logo, inicialmente admito a existência de tudo, incluindo do Pai Natal. Depois olho para as evidências para tirar as minhas conclusões.

    2 – Não sou técnico de som, mas percebo de ciência, e não entro na Igreja a explicar ciência às pessoas que vão à Igreja saber de Deus. “Cada macaco no seu galho”.

    O que o Papa fez foi falar de ciência, mas mal, porque entrou nas conceções erradas comuns na população.
    Para falar de ciência, deveria perguntar primeiro o que ela é.

    “se calhar (você não concorda mas eu sim) é preciso ir indo aos poucos metendo na cabeça das pessoas (já agora a na sua também) que a Bíblia não é um livro cientifico mas um livro de Fé.” <--- não coloquei isso em questão. Por favor, leia o artigo. "conheceu o Pe João Resina?" <--- não. Se era padre e físico, melhor para ele. Provavelmente não cometeu os mesmos erros científicos que o Papa. abraços

    1. (…comentário editado…)

      Cmp e felicidades para o blog.

      (…comentário editado…)

      1. Caro Albino,

        Agradeço-lhe as palavras que “passaram” na moderação.
        Quanto ao resto do seu comentário, bem, penso que quem não quer, não come. Se não quer ler, não lê. É simples.

        De resto, o texto do post fala por si. O Papa esteve mal. Se não entende isso, não sei que lhe fazer. Mas também não lhe admito as suas “opiniões” (entre aspas).

        abraços

  1. […] várias intervenções papais sobre as teorias científicas. O último Papa, por exemplo, tinha feito o mesmo que agora foi feito pelo novo […]

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