Cosmos – décimo episódio

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10 – O Rapaz Elétrico (The Electric Boy)

Vivemos num mundo de alta tecnologia, com comunicações instantâneas pelo mundo (ex: telemóveis/celulares, televisões, e-mail, Facebook, Twitter) e com embaixadores robóticos nas fronteiras do sistema solar.

Tudo isto só é possível devido à contribuição científica do génio que Albert Einstein venerava (devido ao enigma do compasso): Michael Faraday.

Cosmos Faraday Christmas Lecture

Este episódio é dedicado à inspiradora história de vida de um dos grandes génios da história humana: Michael Faraday.
Faraday nasceu muito pobre, nunca ninguém deu nada por ele, e era um Cristão fundamentalista. Mas ao colocar a ética de trabalho e a verdade da natureza acima de tudo, ele conseguiu inventar o motor e o gerador, e foi o pioneiro que nos deu o mundo eletrónico em que vivemos atualmente.

O episódio também se dedica ao campo magnético e ao eletromagnetismo, descoberto através do trabalho de Faraday.

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Tyson começa por explicar que Isaac Newton postulou que deveria existir uma outra força natural, similar à força gravitacional.
De seguida, Tyson fala de Faraday, que nasceu bastante pobre, mas ficou bastante interessado e fascinado pela eletricidade após ler alguns livros e assistir a palestras de Sir Humphry Davy. Davy contratou Faraday após perceber que ele tirava enormes notas das palestras. Assim, Faraday foi contratado como secretário e assistente de laboratório.

Após Davy e o químico William Hyde Wollaston falharem na sua tentativa de desenvolver o trabalho de Hans Christian Ørsted, de modo a descobrirem o fenómeno eletromagnético, para criar movimento através da eletricidade, Faraday criou o primeiro motor elétrico.
Davy não gostou desta descoberta de Faraday e colocou-o num trabalho diferente.
Faraday aproveitou para criar uma série de Palestras de Natal para ensinar ciência às crianças – ele foi um dos pioneiros da educação/divulgação científica para o público.

Após a morte de Davy, Faraday voltou ao trabalho sobre eletromagnetismo, criando o primeiro gerador elétrico.

Apesar de ter perdido parte da sua capacidade mental (sobretudo memória), Faraday conseguiu perceber que a eletricidade e o magnetismo estavam ligados por campos invisíveis, e postulou que a luz também está ligada a estas forças.
Faraday compreendeu as “energias invisíveis” até então desconhecidas.
Ele conseguiu ver a realidade física que nos rodeia.

Em 1840, Faraday conseguiu ligar as 3 forças (eletricidade, magnetismo, e luz), e postulou que estes campos existem por todo o planeta. A Terra é um íman gigante. Mais tarde, isto seria chamado de Campo Magnético Terrestre, gerado pelo núcleo exterior terrestre de ferro líquido em rotação.
Faraday desenvolveu inicialmente a Teoria Clássica de Campos.

No início, a comunidade científica não podia aceitar o trabalho de Faraday, devido à falta de suporte matemático. No entanto, após James Clerk Maxwell desenvolver as suas equações, estas validaram o trabalho de Faraday.

Maxwell também percebeu que a luz é somente radiação eletromagnética (é tudo o mesmo).
Maxwell descobriu que os campos eletromagnéticos não são estáticos, mas movem-se em ondas (eletromagnéticas). É este movimento que nos permite ver televisão e enviar mensagens à velocidade da luz entre locais bastante distantes.

Os trabalhos de Faraday e de Maxwell são a base da ciência no mundo moderno de comunicações eletrónicas.

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O episódio é muito bom.

Este episódio mostra a dedicação dos cientistas e sobretudo os problemas que têm que ultrapassar ao longo de décadas até fazerem uma descoberta cientifica.

É incrível como o motor elétrico de Faraday iniciou uma revolução tecnológica: coisas tão simples como ventoinhas, ar condicionado, máquinas de coser roupa, máquinas elétricas de bricolagem, até coisas mais complexas como rádio, telefone, frigoríficos, computadores e carros, todas foram desenvolvidas a partir do motor elétrico de Faraday.

É interessante perceber que toda a tecnologia que temos hoje se deve ao esforço, inteligência e conhecimento científico de Faraday, Maxwell e milhares de cientistas pela história de quem nem sabemos o nome.
Curiosamente nada do que temos hoje se deve às crenças dos vendedores de banha-de-cobra do passado (eles considerariam as televisões, internet, telefones, etc, de hoje como se fossem feitiçaria!), assim como no futuro nada do que tivermos se vai dever às vigarices que são hoje divulgadas por homeopatas, astrólogos, crentes em reiki, etc.
É a ciência que nos leva ao progresso. Sempre. Por muito que custe aos hipócritas que negam o conhecimento científico.

De forma interessante, este episódio sobre história é narrado inteiramente através de animação.

Neste episódio percebeu-se que a série não é anti-religião. Eles poderiam ter feito um episódio de críticas fortes ao facto de Faraday ser Cristão fundamentalista, mas preferiram não se concentrar nessas críticas. Porque tomaram esta decisão? Porque a sua crença não impediu o progresso científico. Ele não deixou que as suas crenças o limitassem a nível da racionalidade científica. Por outro lado, o eletromagnetismo não é algo que os Criacionistas neguem, por isso não havia necessidade de elucidar os fundamentalistas quanto a estes factos.

Adorei a explicação sobre o campo magnético e as consequentes auroras. E a parte visual das auroras está soberba!

Adorei quando Tyson explicou que as aves migratórias, entre outros animais, usam o campo magnético terrestre para se orientarem.

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Tendo em conta o tema deste episódio, penso que faria sentido falar-se da reversão dos polos, de forma a sossegar as pessoas e elucidar sobre o fenómeno. É um tema atual que tem relevância.

Não gostei de ter sido dada tão pouca relevância a Maxwell (somente 3 minutos no final). Porque não existiu uma explicação razoável das suas equações?

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5 comentários

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  1. Por que não fazer um documentário sobre o episódio do escritor também…

    • Eidmar Linhares on 31/07/2016 at 13:47
    • Responder

    Faraday provou que estudar é responsabilidade pessoal e possível através da atitude individual.

  2. Este é um dos melhores episódios da série. 😀

    • Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernanbdes on 25/08/2014 at 22:55
    • Responder

    Também gostei bastante deste episódio. Para além daquilo que aprendemos ou relembramos, esta série tem a grande vantagem de dar o relevo ao ser que estudou, investigou e descobriu. Quando nas escolas nos ensinam as leis de Faraday,p.e., só pensamos em aprendê-las e esquecemos o génio que as concebeu. Assim humaniza-se a ciência.
    Um abraço.

    1. Totalmente de acordo 🙂

  1. […] O 10º episódio da série Cosmos foi dedicado a Michael Faraday. Leiam aqui. […]

  2. […] – O Rapaz Elétrico (The Electric […]

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