[ET #9] – Estratégias de comunicação interestelares: o rádio

Antena de 70 metros de Goldstone utilizada em comunicações de espaço profundo. Crédito: NASA.

Se detetássemos evidências da existência de uma civilização ET, que estratégia de comunicação iríamos utilizar? Com a tecnologia de que dispomos atualmente, viajar pelo espaço é demorado, dispendioso e ineficiente. Porém, os fotões viajam à velocidade da luz, são baratos e qualquer civilização tecnológica consegue manipulá-los. Então a solução poderia passar por comunicar em frequência de rádio. As principais vantagens deste tipo de comunicação são:

  • A atmosfera é transparente à radiação eletromagnética na janela de micro-ondas, de 1 cm a 30 m; o limite máximo de frequências ocorre devido à opacidade da ionosfera e o limite mínimo é causado pela forte absorção na atmosfera dos elementos O2, CO2 e H2O;
  • O custo energético é reduzido (o custo por fotão diminui para comprimentos de onda maiores E=hc/ λ);
  • O equipamento é barato pelo facto do emissor e recetor não requererem grandes tecnologias;
  • Forte contraste de emissões, dado que as estrelas emitem pouco na banda do rádio. A Terra é cerca de 10 vezes mais brilhante que o Sol em emissões rádio, o que significa que uma fonte forte de rádio na direção de uma estrela, com um período bem definido, pode indicar a existência de uma civilização tecnológica; e
  • Existência de período temporal favorável. O aparecimento da tecnologia de rádio parece ser um passo razoável no desenvolvimento de uma civilização tecnológica (as emissões TV e FM acabam por escapar pela atmosfera em direção ao espaço).

Dentro da janela de micro-ondas, os níveis de ruído são mínimos e as frequências preferidas para escutar sinais de rádio de origem ET são:

  • 1660 MHz (18 cm): o water hole varia de 18 a 21 cm (linhas de OH e H);
  • 1420 MHz (21 cm): transição do spin do eletrão do H para nível de energia menor; e
  • 2840 MHz (10,5 cm): o dobro da frequência anterior.

As estratégias de escuta dependem do número de estrelas que pretendemos alcançar. Assim, se esse número for reduzido, utiliza-se a técnica do alvo específico, caso contrário, teremos os surveys.

Outros fatores a considerar são:

  • A banda larga é cara (requer muitos canais);
  • A banda estreita é barata (os sinais artificiais devem ter banda estreita);
  • O sinal diminui com o inverso do quadrado da distância; e
  • Propaga-se à velocidade da luz, pelo que podemos “perdê-lo”.

Estas são as vantagens da comunicação rádio tendo em consideração a nossa situação tecnológica atual. Num futuro próximo, poderemos vir a descobrir novas formas de comunicação que tornem as emissões rádio obsoletas mas enquanto isso não acontece, vamos seguindo o raciocínio baseado no nosso estado de evolução atual.

Depois de escolhida a comunicação rádio, é chegada a altura de refletir sobre a codificação da mensagem. O que teremos em comum com uma civilização ET? Matemática, por exemplo.

Imagens são uma boa forma de comunicar. A mensagem de Arecibo continha várias imagens codificadas em 1679 bits. Ora, este valor corresponde à matriz que resulta da multiplicação de 2 números primos, 23 x 73 (ou 73 x 23). Como é sabido, um número primo é divisível apenas por si próprio e pela unidade, logo o produto de 2 números primos apenas admite duas soluções, tornando-se mais fácil descodificar a mensagem recebida. No entanto, é bom ter presente que a trajetória do desenvolvimento matemático de uma civilização alienígena poderá ser bem diferente da nossa, enveredando por caminhos de elevada complexidade e divergente da praticada aqui na Terra.

Pessoalmente, gosto de acreditar que tenha havido, ainda haja e continue a haver procura de vida ET realizada por outras espécies inteligentes. Talvez essas procuras já tenham resultado em sucesso e existam comunicações interestelares entre diferentes espécies inteligentes. Quem sabe se um dia possamos entrar nessas conversas!

4 comentários

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    • Reinaldo da Silva on 24/02/2017 at 19:24
    • Responder

    professor o senhor disse: ” as emissões TV e FM acabam por escapar pela atmosfera em direção ao espaço ” e quanto as ondas de AM?

    1. Reinaldo, aplica-se o mesmo raciocínio. Não falei das ondas AM (modulação em amplitude) porque são menos usadas atualmente comparativamente com as FM (frequência modulada).

  1. Ha aqui um problema qualquer com os comprimentos de onda:
    “1660 MHz (18 cm): o water hole varia de 18 a 21 cm (linhas de OH e H);
    1420 MHz (21 cm): transição do spin do eletrão do H para nível de energia menor; e
    2840 mHz (42 cm): o dobro da anterior.”

    1. É verdade. Vou corrigir o comprimento de onda de 2.840 MHz. Obrigado. 🙂

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