A ditadura da verdade

“You are not entitled to your opinion. You are entitled to your informed opinion. No one is entitled to be ignorant.” Harlan Ellison

Traduzindo a frase de Harlan Ellison: “Tu não tens direito à tua opinião. Tu tens direito à tua opinião informada. Ninguém tem direito a ser ignorante.”

A democracia, para se defender a ela própria, necessita de estabelecer limites às liberdades que oferece. Em particular, a liberdade de expressão tem que ser regulamentada de alguma forma.

Em 1945, Karl Popper escreveu em “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”:

“We should therefore claim, in the name of tolerance, the right not to tolerate the intolerant.”

“Portanto, em nome da tolerância, nós temos que reivindicar o direito de não tolerar o intolerante.” – O argumento parte da observação de que uma sociedade que tolere tudo irá permitir que apareçam grupos de indivíduos intolerantes que podem destruir a tolerância. Dada a altura em que foi escrito o livro, não é difícil de adivinhar parte da motivação de Popper.

Trata-se na verdade de uma consequência do “Princípio de Ofensa”. Segundo John Stuart Mill:

“The only purpose for which power can be rightfully exercised over any member of a civilized community, against his will, is to prevent harm to others.”

“A única ocasião em que o poder pode ser legitimamente exercido sobre um membro de uma comunidade civilizada, contra a vontade deste, é para evitar danos a terceiros.”

O problema está na definição de “dano” ilegal. Se por um lado todos concordamos que matar, roubar, violar, agredir, etc. são “danos” causados a terceiros que devem ser considerados ilegais, já difamar, caluniar, insultar, mentir, etc. podem por vezes ser permitidos. Onde é que devemos demarcar o limite? Não é fácil defini-lo pois pode ser necessário considerar a magnitude, a intenção e as consequências da ofensa.

A ilegalidade da mentira parece-me um assunto especialmente delicado. Primeiro é necessário determinar o que é verdade, o que não é de todo trivial em muitas situações. Assumir que a verdade é uma entidade única, independente e imutável é uma visão ingénua da realidade. Pelo contrário, a verdade pode ter várias formas, permitir várias interpretações, pode depender de quem a observa e pode ainda transmutar-se ao longo do tempo.

Sendo este blogue dedicado à Ciência, estou a pensar em particular na verdade científica e no seu impacto social, ainda que o que se segue se possa aplicar a outros domínios.

Podemos definir a verdade científica como sendo aquilo que resulta do consenso da comunidade científica. Não se trata de concordar por maioria democrática, mas antes constatar aquilo que a maioria das evidências e respectivas interpretações parecem indicar. É importante compreender que não obstante o facto desta verdade científica poder ser falsa, ela é a melhor aproximação que temos da verdade dados os meios de que dispomos num dado momento.

Se o leitor se deparar com um facto novo que contradiz o seu senso comum, é natural que não o aceite de imediato. Ser-se céptico é uma virtude. Contudo também precisamos de bom senso. O nosso pragmatismo deve-nos convencer a acreditar nas fontes de saber credível, uma vez que não temos disponibilidade para verificar a veracidade de todos os factos que povoam o mundo em nosso redor. É claro que as fontes de saber credível são os cientistas: aqueles que investiram toda a sua vida a explorar os factos em questão. Não querer acreditar na Ciência vigente é simultaneamente uma atitude arrogante e absurda. Argumentar que os cientistas também se enganam é como decidir deixar de comer porque uma vez uma refeição nos fez mal.

Não obstante, é necessário fazer aqui uma chamada de atenção que creio que explica em parte a falta de confiança social que hoje se faz sentir na comunidade científica. Grande parte das notícias sobre Ciência que chegam ao grande público focam-se nos limites da Ciência moderna: “Um novo estudo mostra que…”. Ora, em muitos casos, estes novos estudos debruçam-se sobre questões onde ainda não existe consenso científico, onde portanto ainda não existe uma verdade emergente. Por isso é razoável que destas notícias seja difícil extrair confiança. Essa confiança deve antes alicerçar-se na Ciência estabelecida, aquela que a História filtrou e que se traduz em muitos dos confortos da vida moderna.

Vivemos um momento histórico que parece inspirar-se em distopias como “1984” de George Orwell ou “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Trump, por exemplo, repete as mesmas mentiras tantas vezes que muita gente assume que deve haver algum fundo de verdade no que diz. No Reino Unido, o Brexit ganhou o referendo em parte por a população não ter sido devidamente informada (bem como por ter sido aliciada com mentiras). Neste caso o próprio referendo não fazia sentido, pois não é sensato oferecer este tipo de decisões ao público. Michael Gove proferiu uma das frases mais irresponsáveis da campanha pela saída da União Europeia: “I am asking the public to trust themselves. […] People in this country have had enough of experts…” (“Estou pedir ao público para acreditarem neles próprios. […] As pessoas neste país já ouviram o suficiente dos especialistas.”)  Isto é o mesmo que afirmar que quanto mais nos informamos sobre algo, menos devemos confiar na nossa opinião. Em conformidade, após o resultado do Brexit, uma das questões mais procuradas no Google no Reino Unido foi “what is the EU?” (“o que é a União Europeia?”).

Não, nem todas as opiniões têm igual validade. Existem grupos de pessoas cuja opinião vale mais que as opiniões dos outros numa dada área do conhecimento: refiro-me aos especialistas dessas áreas. Se tivermos um problema com o carro, consultamos um especialista: o mecânico. Em geral, para cada problema temos pessoas especializadas que nos podem ajudar: médicos, electricistas, advogados, canalizadores, etc. Utilizar os seus serviços é uma forma de elitismo? Talvez seja, dependendo da forma como definamos “elitismo”.

Um exemplo recente em Portugal: a maioria dos portugueses quer acabar com a mudança de hora. Muitos indignaram-se com a atitude sensata de António Costa, que disse que preferia seguir a opinião científica apresentada pelo Observatório Astronómico de Lisboa. Há razão para indignação? Não, há mas é razão para preocupação por se ter uma sociedade que acredita que deve ser ouvida numa questão onde uma verdade técnica pode ser apurada.

Os meios de difusão de informação têm um papel preponderante na forma como a sociedade se vê a si mesma e nos direitos opinativos que revê em si própria. Dar tempo de antena à sociedade para esta se expressar sobre um assunto em que é ignorante equivale a dar um sentido de legitimidade à ignorância. Os debates podem ser igualmente perigosos, dependendo da forma como são formatados. Por exemplo, debates sobre Criacionismo versus Evolucionismo ou sobre alterações climáticas podem dar a impressão de que são questões onde ainda não existe um consenso científico. Pelo contrário, nestes debates tem-se por norma um cientista a tentar desconstruir as falácias do oponente. Contudo, também não se pode proibir a difusão da ignorância, pois é importante usá-la para informar. Proibir é perigoso pois por um lado não podemos confiar de forma cega no conhecimento de quem proíbe e, por outro lado, devemos estar cientes que a proibição pode sobrevalorizar aquilo que pretende banir.

Em conclusão, a verdade e o conhecimento não são democráticos, mas para defender a democracia é crucial defender a verdade. Não é igual estar-se certo ou errado. Mentir pode ser crime dependendo das consequências que advenham da mentira. Estar mal informado pode, em certas circunstâncias, ser considerado uma negligência ilegal. O nosso futuro depende da verdade, quer o reconheçamos ou não. Importa, por isso, informar e edificar espírito crítico na sociedade.

 

'See, dear, you can't believe everything you read. It says so right here on the internet!'

“Querida, não podes acreditar em tudo o que lês. É o que está aqui escrito na internet!”

15 comentários

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    • Alexandre Santos on 06/12/2018 at 03:30
    • Responder

    Queria também acrescentar algo à discussão sobre a mudança de hora.

    Eu tenho ideia que houve em tempos uma experiência aqui em Portugal de manter a hora de verão todo o ano.
    Se não me falha a memória, ela aconteceu de meados dos anos 60 até meados dos anos 70 do século passado.
    Lembro-me, no Inverno, de ir para a escola ainda de noite e toda a primeira aula era dada de luz acesa, pois só começava a clarear a partir das 9 da manhã.

    Depois, nos anos 90 houve outra experiência, esta diferente da anterior, que consistiu em ficarmos com a hora centro europeia (CET), e que durou menos tempo, acho que 3 ou 4 anos.

    Ambas as experiências, e imagino que por razões diversas, não vingaram. Presumo eu que os benefícios não tenham sido assim tão grandes e as razões políticas ou económicas, se as houve, tenham falado mais alto.

    Quanto a mim, e se tivesse que decidir, escolhia manter a hora de inverno durante todo o ano.
    Assim, quando olhasse para para o céu ao meio dia, veria o sol sempre no seu zénite, e os seus relógios sempre certos…

    Abraço

  1. A “Verdade” não existe.

    Como pode restringir-se a expressão do pensamento em nome de uma ilusão ?

    Se identificamos Verdade com Verdade Científica, todas as Fés protestarão.
    Se com Verdade Divina, a Ciência protestará.
    Se com Verdade Social (que é a dos media), pensadores, filósofos e individualistas protestarão.

    Uma coisa é certa: a Verdade raramente triunfa sobre a Mentira, a não ser em factos triviais do quotidiano. Veja-se a enorme, monumental mentira que são as alterações climáticas provocadas pelo Homem. Alterações de décimas de grau e milímetros de nível do mar. Ninguém vê o ridículo ?
    Ninguém vê o lobby das energias renováveis ?

    A enorme, monumental mentira dos medicamentos homeopáticos. Dos benefícios da longevidade. Da origem natural dos desvios de sexualidade. A Mentira vence em toda a linha.

    1. Eu penso que o Mário confunde a parte social com a parte que pode ser objetivamente medida por toda a gente no planeta logo que se disponham a estudar o assunto devidamente.

      2 + 2 = 4 . Essa é a verdade.

      Se o Mário se atirar do topo de um prédio e se escarrapachar cá em baixo, a culpada é a gravidade, não é de nenhum ser invisível com 4 patas e um corno que o empurrou cá para baixo.

      Quando liga o interruptor, o que dá luz nas lampadas é a eletricidade. Isso é a verdade. Não são duendes pequeninos e invisíveis que empurram carroças de luz da tomada para a lâmpada.

      Sim, a verdade científica é relativamente fácil de ser alcançada por quem se dispuser a investigar o assunto durante muitos anos.

      Dou-lhe mais um exemplo: “Alterações de décimas de grau e milímetros de nível do mar.” Se assume isso como a verdade científica, então é porque sabe que existiram medições objetivas que provaram isso. Sem querer, mostrou existir a verdade.

      Misturar isso com seguidismos religiosos ou filosóficos, não faz sentido.
      Misturar isso com opiniões de certos assuntos, não faz sentido.

      abraços

    2. Caro Mário,

      Completo a resposta do Carlos:

      >>”A “Verdade” não existe.”
      Não sabemos se existe ou não uma verdade fundamental. E mesmo que exista, não sabemos se transcende ou não a capacidade humana alcançá-la. Contudo, podemos assumir que existe uma verdade alcançável e podemos procurar descobri-la. A ciência parte sempre desta suposição e a verdade é que temos tido imensos resultados que suportam a validade da suposição. Toda a tecnologia que o rodeia é uma boa evidência disso mesmo: os computadores, por exemplo, não crescem nas árvores.

      >> “Como pode restringir-se a expressão do pensamento em nome de uma ilusão ?”
      Restringir? Assumir que não existisse uma verdade é que seria uma restrição! Se não existe verdade, para quê tentar procurá-la? Toda a expedição científica seria absurda. Estaríamos ainda a viver em cavernas…

      >> “Se identificamos Verdade com Verdade Científica, todas as Fés protestarão.”
      E se protestarem, qual o problema? Como afirmei neste artigo, a verdade, se existir, não é democrática. As leis da Física permanecem válidas e capazes de prever, por exemplo, o movimento dos planetas, independentemente de quem proteste contra elas.

      >> “Se com Verdade Divina, a Ciência protestará.”
      A suposta “verdade divina” não é verificável pela ciência, pelo que não é uma verdade científica (material). Não há grande discussão para lá disto.

      >> “Se com Verdade Social (que é a dos media), pensadores, filósofos e individualistas protestarão.”
      Sim, e depois?

      >> “Uma coisa é certa: a Verdade raramente triunfa sobre a Mentira, a não ser em factos triviais do quotidiano.”
      Esta frase é potencialmente controversa, mas vou-me abster de comentar, pois depende do que se entende por “triunfar”.

      >> “Veja-se a enorme, monumental mentira que são as alterações climáticas provocadas pelo Homem. Alterações de décimas de grau e milímetros de nível do mar. Ninguém vê o ridículo ?”
      O ridículo é falar-se sem saber, fazendo de conta que se sabe. A sua percepção do que é muito ou pouco é irrelevante. O que importa é perceber se as alterações existem (e não são apenas flutuações estatísticas) e quais as suas consequências.

      >> “Ninguém vê o lobby das energias renováveis ?”
      Existem lobbies em todos os negócios, quer sejam energias renováveis ou não.

      >> “A enorme, monumental mentira dos medicamentos homeopáticos. Dos benefícios da longevidade. Da origem natural dos desvios de sexualidade. A Mentira vence em toda a linha.”
      Origem natural dos desvios de sexualidade? Não sei do que está a falar.

      Cumprimentos,
      Marinho

    • Alexandre Santos on 04/12/2018 at 21:40
    • Responder

    Eu acho que a dado momento as pessoas infelizmente desistem de evoluir, cultivar-se, etc.
    Parece que param no tempo, e olham para o progresso cientifico e tecnológico como algo estranho e inacessível,
    E a falta de conhecimento aliado à ignorância levam à derrocada individual e colectiva.

    Já nem a escola tem resposta para este fenómeno. Deixou de se dar valor à cultura geral, já poucos sabem os nomes dos rios e das serras nem onde se localizam, já poucos sabem a tabuada ou fazer contas de cabeça, já poucos sabem escrever correctamente. E depois oiço dizer “mas o que é que isso interessa, para que serve.”
    Serve para nos cultivarmos. O conhecimento nunca é demais.
    Quanto mais verdades nós soubermos mais protegidos estamos contra as mentiras.

    Obrigado Marinho por este excelente artigo.

    1. Muito obrigado Alexandre Santos pelo seu comentário!

      Eu sinceramente não sei se essa tendência se verifica em geral, ou não. Há sempre flutuações na evolução e neste aspecto eu prefiro ser optimista: mesmo que a sociedade esteja actualmente em declínio, espero que brevemente volte a melhorar.
      Não obstante, também creio que haverá uma evolução naquilo que a sociedade irá desejar saber. Talvez saber o nome dos rios venha a ser considerado uma curiosidade que pode ser consultada no Google Maps (o mesmo para nome de estrelas e constelações, que podem ser identificadas usando o Google Sky Map), e ao invés os mais novos irão aprender outros conteúdos… Haverá muita coisa que será importante saber que existe e saber como encontrar, o que poderá permitir que se aprendam outras coisas. Para nós é um pouco preocupante pensar que os nossos descendentes irão talvez apenas conhecer o índice de muitos dos nossos livros, mas quem sabe se não será essa a forma de poder expandir horizontes, dado o volume de conhecimentos ao nosso dispor. A verdade é que hoje a esmagadora maioria da sociedade não faz a menor ideia da enorme herança científica que recebemos dos nossos antepassados. Se quisermos mudar isso, será necessário simplificar muito… quiçá até ao ponto de só (mas pelo menos) conhecer os índices… Mas bom, isto sou apenas eu a especular.

      Cumprimentos,
      Marinho

        • Alexandre Santos on 05/12/2018 at 20:08

        Agradeço a sua resposta Marinho,
        mas não interprete erradamente o meu raciocínio. É claro para mim, e citando o poeta Luís Vaz de Camões 1524 – 1579/80,…

        “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
        Muda-se o ser, muda-se a confiança:
        Todo o mundo é composto de mudança,
        Tomando sempre novas qualidades.”

        … que a evolução humana levará a novas formas de aprendizagem e que necessariamente os conteúdos aprendidos irão variar.
        O que eu queria dizer é que, na minha opinião, a maioria das pessoas desistiram e eventualmente desistirão de aprender.
        E isto apavora-me.
        Faz falta o comprimido do conhecimento, que transmita todo o conhecimento adquirido até então a todos os que o ingerissem. E com uma posologia mensal…
        É claro que com umas contra-indicações para alguns banqueiros, industriais e políticos, e outros tantos militares… 😉

        Um abraço.

  2. Concordando com a generalidade do texto, acho que os especialistas não são todos iguais.
    Parece-me que a opinião de um físico (num assunto da Física) tem uma probabilidade de acerto bem superior à opinião de um economista (numa questão económica).
    Isto para chegar a duas questões (Brexit e mudança da hora) que considero serem apenas políticas, o que remete para interesses, ideias e preferências de cada um. E, numa sociedade democrática, este género de questões tem de ser decidido por todos.

    1. Cara Jaculina,

      Obrigado pelo seu comentário.
      Eu também concordo que a credibilidade dos especialistas varia de área para área, mas isso não impede que até mesmo em economia a opinião de um economista seja em princípio mais válida que a de um leigo na matéria.

      No referendo do Brexit foi perguntado ao público britânico se este queria que o Reino Unido continuasse na UE ou não. Será que este é o tipo de questão que deve ser feito ao público leigo? Se olharmos para uma democracia directa como a da Suíça, será que fazem lá este tipo de questões? Não. Muitos “especialistas” acreditam que o referendo não deveria ter sido feito, em particular com uma questão deste tipo (não vi nenhum que afirmasse de forma justificada que o referendo devesse ter sido feito). Houve ainda outros problemas na concepção do referendo e na forma como o público foi informado, mas já estou a fugir ao essencial: permanecer ou não na UE é uma questão técnica que a maior parte das pessoas não sabe avaliar de forma plenamente informada. É uma questão extremamente complexa que envolve múltiplas consequências diferentes em termos económicos, políticos, sociais, etc. Pedir a opinião do público numa questão deste tipo é não só irresponsável, como absurdo. Venceu a aleatoriedade de um desejo pseudo-nacionalista que só tem contribuído para fragmentar a sociedade britânica.

      No que toca à mudança de hora, copio para aqui algumas notas que acrescentei no meu blogue sobre esta questão:
      (1) O António Costa poderia ter referido as razões científicas apuradas pelo estudo, ao invés de dizer apenas que confia na ciência.
      (2) Achei curiosa a escolha do Observatório Astronómico de Lisboa para responder à questão, mas aqui dou o benefício da dúvida: se o Observatório não tivesse competências para responder à questão, suponho que eles não teriam aceitado analisar a questão.
      (3) Todos aqueles que não concordam com a mudança de hora devem ser informados do porquê do Observatório a querer mudar. Mais informação deveria ter sido dada, nomeadamente como ter acesso ao estudo em causa. Assim, em vez de se andar a opinar só “porque sim”, dever-se-ia questionar exactamente aquilo que foi encontrado no estudo. Como qualquer outro estudo, este também pode padecer de erros técnicos que podem invalidar as conclusões.
      (4) O importante a reconhecer é que se trata de uma questão científica que pode ser estudada. Perguntar a opinião do público não faz sentido, pois o público não sabe o que é melhor para si, mesmo que estejam convencidos que sabem. (Muitos até poderiam mudar de ideias assim que passassem a experienciar a não mudança de hora durante alguns anos.)

      Em suma, a indignação acabou por ser justificada pois o público não foi devidamente informado.

      Só porque uma decisão política afecta o grande público, isso não implica que deva ser o grande público a decidir o que é melhor para si. Sejamos humildes e reconheçamos que somos ignorantes em muita coisa! Compramos pão ao padeiro pois não sabemos fazer pão e com isso temos que confiar no padeiro. Se não gostarmos do pão, podemos mudar de padeiro, mas não vamos aprender a fazer pão (ou pelo menos a maioria não o fará). Com a política é a mesma coisa. Precisamos dos políticos para decidir por nós muitas coisas e esperamos que eles saibam seguir as receitas certas, ou consultar os especialistas certos para tomarem as decisões que nós tomaríamos se estivéssemos igualmente bem informados.

      Cumprimentos,
      Marinho

    2. Marinho,

      Concordo com tudo o que dizes….

      No entanto, consigo perceber os argumentos da Jaculina.

      Eu também entendo que há fatores políticos e sociais que não são analisados nesse tipo de decisões (como a mudança de hora).
      Eu compreendi todos os argumentos do OAL. Consigo entender a posição. Mas pareceu-me que faltou outras variáveis, de pendor social e até biológico.
      Por exemplo, se nenhum animal tem “mudança de hora” e sofrem do mesmo problema dos movimentos da Terra que provoca mais ou menos luz em diferentes alturas do ano, não entendo alguns dos argumentos sobre os humanos.
      Por outro lado, e como li em vários locais, quem tem filhos percebe o impacto violento que isso tem nos miúdos, e até nos adultos, ter que pensar no dia seguinte: “ontem a esta hora estava a dormir e agora sou obrigado a acordar tão cedo”. De um dia para o outro, a mudança é violenta. E segundo ouvi de vários pais, os miúdos levam alguns dias/semanas a adaptarem-se. E, sinceramente, não vejo porque os submetemos a isto.
      Por fim, pessoalmente, eu que gosto de trabalhar e de estar acordado à noite (e que durmo toda a manhã), acho um perfeito disparate chegar às 17 horas e já estar a anoitecer.

      Pessoalmente, acho esta coisa da mudança de hora algo temporário, que dentro de um século vamos olhar para trás e perceber o que “atrasadinhos éramos” para andar a colocar estes artifícios no calendário.

      Nota: não dei qualquer argumento “científico”. Não te falei de posição do Sol, nem nada do género. Porquê? Porque me parece um debate mais social (e psicológico) do que científico. E, obviamente, político.

      Aceito que a decisão política seja essa. E gostei do Costa ter seguido os conselhos da ciência.
      Mas, por mim, os argumentos científicos não deveriam ser os mais relevantes neste caso.

      abraço!

      1. Como disse em cima, não estou a advogar em favor da conclusão do estudo, o qual nem li (pois não me faz diferença, principalmente não estando em Portugal :p ), pelo que não o posso criticar. É possível que o estudo devesse ter um maior pendor social, mas de novo me parece que deveria ser um estudo científico e não apenas uma votação, pois confio mais numa opinião informada pelas evidências, do que uma opinião que resulta da média da ignorância geral.
        Eu sinceramente acho que as pessoas exageram: não vejo ninguém a queixar-se da mesma forma em relação a jet-lags de uma hora quando viajam… Por outro lado, numa votação parece-me importante que as pessoas conheçam bem as duas opções. Ora, neste caso as pessoas conhecem apenas aquela da qual não gostam. Será que iam gostar da outra opção? Pensam que sim, mas podem muito bem estar enganados. Uma votação seria severamente afectada por estes “bias”…

        Dizes que te parece que é uma questão social e psicológica: eu sei que as ciências sociais e a psicologia não são das ciências mais credíveis, mas são ainda assim passíveis de ser estudadas com a metodologia científica. É claro que nelas são usados muitas vezes questionários, pelo que neste caso poderiam e deveriam ter questionado o público, contudo parece-me absurdo reduzir tudo a uma só questão, sem espaço para um melhor entendimento da matéria. Um questionário bem pensado, com perguntas que abordassem as consequências de cada uma das opções, seria um meio muito melhor, pois permitiria compreender o que de facto o público quer, e não aquilo que pensa querer.

        Abraço!

      2. Eu como estou acordado de noite, e como acho que nunca sofri de jet lag apesar de viajar tanto, também não me afecta.

        Daí não entender a mudança de hora… in the first place! 😛

        Concordo inteiramente com este teu comentário 😉

        abraço!

      3. Eu também nunca tinha sofrido muito de jet lag, até ao dia em que fui à Austrália! :p

        A mudança de hora tinha sido implementada primeiramente para poupar dinheiro com iluminação e aquecimento. Neste momento já não faz grande diferença.

        Abraço!

  3. Excelente!!!! 😀

    1. Obrigado Carlos! 🙂

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